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Cristiano Ronaldo ouvido durante hora e meio por suspeitas de delito fiscal

Logótipo de LusaLusa 31/07/2017 Rui Barbosa Batista

Pozuelo de Alarcón, Madrid, 31 jul (lusa) – Cristiano Ronaldo abandonou o tribunal de Pozuelo de Alarcón, nos arredores Madrid, depois de prestar declarações durante uma hora e meia na qualidade de suspeito de ter defraudado o fisco espanhol em 14,7 milhões de euros entre 2011 e 2014.

“Está tudo em ordem e [Ronaldo] já está a caminho de casa”, disse o representante do internacional português, Inaki Torres, no final da audição, numa altura em que as várias centenas de jornalistas presentes estavam à espera que fosse o próprio Cristiano falar, como tinha sido anunciado.

PACO CAMPOS/EFE © EPA / PACO CAMPOS PACO CAMPOS/EFE

Torres remeteu para mais tarde um comunicado de imprensa da Gestifute, empresa do agente do jogador, Jorge Mendes.

Fonte do tribunal disse à agência Lusa que o português prescindiu de ter um intérprete a seu lado, tendo respondido em espanhol às perguntas que os representantes do Ministério Público lhe fizeram.

O Ministério Público acusa o internacional português de ter defraudado o fisco espanhol em 14,7 milhões de euros entre 2011 e 2014.

O futebolista português restou declarações no tribunal de Pozuelo de Alarcón, o concelho mais rico de Espanha, nos arredores de Madrid, onde vive.

Ronaldo foi ouvido como investigado (suspeito), ainda em fase de instrução do processo, à porta fechada, pela juíza Mónica Gomez e respondeu às perguntas do Ministério Público.

Segundo fonte do tribunal, a juíza terá agora de decidir qual será o próximo passo: continuar a fase de instrução com a recolha de mais elementos; passar à fase de julgamento; ou fechar o caso por falta de provas.

Cristiano Ronaldo é acusado de ter, de forma “consciente”, criado empresas na Irlanda e nas Ilhas Virgens britânicas, para defraudar o fisco espanhol em 14.768.897 euros, cometendo quatro delitos contra os cofres do Estado espanhol, entre 2011 e 2014.

Em causa estão valores de 1,39 milhões em 2011, mais 1,66 milhões em 2012, a que se juntam 3,2 milhões em 2013 e 8,5 milhões em 2014.

Na base da acusação estão os direitos de imagem do jogador português, ao serviço do Real Madrid desde 2009, e que, desde 01 de janeiro de 2010, é considerado residente fiscal em Espanha.

Centenas de jornalistas espanhóis e estrangeiros e várias dezenas de operadores de câmara seguiram a ida do português ao tribunal e bloquearam a porta de entrada principal do edifício onde se realizou a audição.

Segundo fontes que seguem o processo, o escritório de advocacia que representa Ronaldo, Baker & Mckenzie, defende que há uma dualidade de critérios sobre a forma de valorizar os direitos de imagem do jogador em Espanha.

A empresa argumenta que os direitos de imagem são anúncios e eventos realizados por companhias que difundem a sua imagem fora de Espanha e não devem ser abrangidos pelo país em que reside neste momento.

Depois de Lionel Messi e Javier Mascherano, condenados em 2016 por fraude ao fisco espanhol, parece que a justiça espanhola se está a concentrar nos, atuais e antigos, jogadores do Real Madrid.

Cristiano Ronaldo, Angel di Maria, José Mourinho (treinador) e Fabio Coentrão estão a ser investigados, assim como o agente português Jorge Mendes, que em finais de junho também respondeu ao juiz no tribunal de Pozuelo, o mesmo que está a instruir o processo de Ronaldo.

A obrigação de se apresentar no tribunal fez com que Ronaldo tivesse falhado o primeiro clássico espanhol da época, entre a sua equipa, o Real de Madrid e o Futebol Clube de Barcelona, ganho pela equipa catalã em Miami (Estados Unidos) por 3-2.

FPB // NFO

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