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Dívida da petrolífera Sonangol desceu para 8.700 milhões de euros em 2016

Logótipo de O Jogo O Jogo 12/07/2017 Administrator

A petrolífera estatal angolana Sonangol fechou 2016 com mais de 1,650 mil milhões de kwanzas (8.700 milhões de euros) em empréstimos de curto, médio e longo prazo, ainda assim uma redução face ao contabilizado no ano anterior.

De acordo com dados do relatório e contas da empresa, compilados hoje pela Lusa, a petrolífera liderada por Isabel dos Santos, reduziu o valor dos empréstimos de médio e longo prazo em 18%, face aos 1,399 biliões de kwanzas (7.390 mil milhões de euros) contabilizados no final de 2015, para 1,144 biliões de kwanzas (6.000 milhões de euros).

Trata-se de uma quebra de cerca de 255 mil milhões de kwanzas (1.300 milhões de euros) no espaço de um ano, mas sem que a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) explique, no relatório e contas, como foi concretizado.

No plano inverso, o valor dos empréstimos de curto prazo subiu quase 13% no último ano, para 507,4 mil milhões de kwanzas (2.680 milhões de euros).

Globalmente, a dívida da Sonangol aos bancos e financiadores desceu em 2016 pouco mais de 10%, equivalente a cerca de 200 mil milhões de kwanzas (mil milhões de euros).

Ainda no passivo corrente da empresa - que inclui os empréstimos de médio e longo prazo -, a Sonangol aumentou a rubrica das provisões para riscos e encargos, passando de 840.762 milhões de kwanzas (4.440 milhões de euros) para 1,222 biliões de kwanzas (6.460 milhões de euros) registados no final de 2016.

No total, o passivo não corrente da Sonangol agravou-se em cerca de 7% em 2016, atingindo os 2,608 biliões de kwanzas (cerca de 13,8 mil milhões de euros), para ativos que subiram, no mesmo período, quase 25%, para 3,136 biliões de kwanzas (15,8 mil milhões de euros).

Totalmente detida pelo Estado angolano, a Sonangol constitui o maior grupo empresarial em Angola e só em custos com pessoal pagou 157.888 milhões de kwanzas (835 milhões de euros) ao longo do ano de 2016, um aumento superior a 14% face ao ano anterior.

Em dezembro de 2016, ao fim de seis meses em funções, a presidente do conselho de administração da Sonangol, Isabel dos Santos, admitiu que a situação da petrolífera "é bastante mais grave do que o cenário inicialmente delineado", obrigando a "decisões de gestão com caráter de urgência".

A conjuntura da empresa, disse igualmente, "conduziu a uma situação difícil perante os credores internacionais, dificultando a capacidade de obter novos financiamentos fundamentais para a sustentabilidade das operações, manutenção dos níveis de produção, pagamentos a fornecedores e cumprimento dos seus compromissos financeiros".

Isabel dos Santos avançou na mesma altura que a dívida financeira do grupo para 2016 estava então estimada em 9.851 milhões de dólares (8.653 milhões de euros) e que existia a "necessidade de contrair novos financiamentos", em face dos compromissos financeiros "ainda por financiar", para que a Sonangol "possa cumprir com os pagamentos até ao final do ano".

Esta necessidade, adiantou, totalizava mais 1.569 milhões de dólares (1.378 milhões de euros).

A administração da Sonangol era liderada desde 2012 até à nomeação (junho de 2016) de Isabel dos Santos pelo chefe de Estado, por Francisco de Lemos José Maria, que por sua vez sucedeu a Manuel Vicente, eleito então vice-Presidente da República.

Isabel dos Santos disse anteriormente que na avaliação realizada à Sonangol foi detetado um "sobredimensionamento da estrutura" do grupo, com cerca de 22.000 pessoas ligadas ao universo Sonangol, 8.000 colaboradores ativos, mais de 1.100 colaboradores não ativos - estes representando um custo anual superior a 40 milhões de dólares (37 milhões de euros) - e mais de 8.000 trabalhadores pertencentes a empresas de trabalho temporário.

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