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Danos de bloqueio contra Qatar "vão levar anos a reparar" -- comité de direitos humanos

Logótipo de O Jogo O Jogo 05/08/2017 Administrator

O bloqueio que quatro países árabes impuseram ao Qatar, há dois meses, "é injusto e ilegal" e os danos que vai provocar "vão levar anos a reparar", antecipa o comité de direitos humanos qatari.

Ao contrário do impacto político-diplomático do bloqueio, que as autoridades do Qatar rapidamente contornaram, encontrando canais alternativos de acesso a bens de primeira necessidade, o impacto na vida das pessoas é real, vinca Saad Sultan Al-Abdulla, diretor da Divisão de Cooperação Internacional do pelo Comité Nacional de Direitos Humanos (CNDH) do Qatar.

"Famílias foram separadas, alunos foram expulsos das escolas, doentes foram expulsos dos hospitais, perderam-se negócios, propriedades foram confiscadas, contas bancárias foram congeladas", relatou à Lusa, à margem de uma conferência internacional organizada pelo CNDH e pela Federação Internacional de Jornalistas, em Doha, a 24 e 25 de julho.

"Os danos imputados ao tecido social vão levar anos a reparar", prevê, assinalando que "não há um único lar no Qatar que não tenha laços com os países vizinhos" que impuseram o boicote -- Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito --, acusando o governo de Doha de apoiar grupos terroristas e desestabilizar a região.

"O bloqueio é injusto, injustificado, desumano e ilegal. Eles não atacaram só o Estado e o governo, mas também as pessoas. Não só os qatari, mas os seus próprios cidadãos, toda a gente, de todas as nacionalidades, que vive e trabalha no Qatar", critica Al-Abdulla.

"Por que temos de colocar as pessoas no meio de uma crise política quando elas não têm nada a ver com o assunto", questiona.

"As pessoas não devem ser parte de uma disputa política nem servir para pressionar o governo do Qatar", sustenta, adiantando que o comité, em conjunto com outras organizações de direitos humanos, está a pressionar os Estados envolvidos a separarem a política e os direitos humanos.

"Queremos minimizar os danos e encontrar uma solução imediata. Não queremos que a solução para a crise de direitos humanos esteja ligada à solução política, que pode surgir dentro de um mês, cinco meses, um ou dois anos", defende.

"Após a primavera árabe, houve uma grande repressão da liberdade de expressão e de informação na região", recorda o responsável do comité. "Houve um retrocesso na liberdade de expressão", acrescenta.

"Não nos sentimos isolados, mas estamos sob ataque. Os regimes que nos rodeiam não apoiam a liberdade de expressão e querem que sejamos como eles. (...) Mas estamos no século XXI, estamos para lá disso, este caminho é irrevogável", frisa.

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