Ao utilizar este serviço e o conteúdo relacionado, concorda com a utilização de cookies para análise, anúncios e conteúdos personalizados.
Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

David Lima em exclusivo: "Quero ser o recordista europeu"

Logótipo de O Jogo O Jogo 10/07/2017 Alcides Freire

Poucos dias após ter carimbado o passaporte para o Mundial, o "skinny sprinter", como é conhecido nas redes sociais, concedeu uma entrevista a O JOGO, abordando o momento e a sua evolução

David Lima é o melhor velocista português do ano nos 100 (10,14s) e nos 200 metros (20.30s), tendo a ambição de bater o recorde europeu na distância rainha dos sprints e que pertence ao compatriota Francis Obikwelu desde 2004. Emigrado em Inglaterra desde os seis anos de idade, o benfiquista passou de desconhecido a grande promessa da velocidade e quer deixar o seu nome na modalidade.

Fez, há uma semana, na Suíça, os mínimos para o Mundial nos 200 metros. Esperava fazê-lo?

-Honestamente, já esperava. Senti-me aliviado, porque já andava a fazer bons tempos desde os sub-23 e sabia que com dedicação era uma questão de treino. Agora dei o salto.

Como encara a primeira ida ao Mundial?

© Tony Dias

-Sinto-me relaxado, espero melhorar os meus tempos. Eu e o meu treinador estamos a treinar para atingir os mínimos e para os superar.

Ainda conta fazer o mínimo nos 100 metros?

-Vejo isto como uma arte e eu sou um artista. Quero é fazer as pessoas vibrar. Nunca há provas perfeitas, há sempre problemas. Agora tenho de me preparar para o que se segue, mas se sair, saiu.

Sonha ser o melhor velocista português de todos os tempos?

-Claro. Devemos sempre sonhar alto. Sou muito amigo do Francis, ele sabe que é essa a minha intenção e apoia-me. O recorde é dele e é uma meta grande. Não vou pensar muito nisso. Temos de ser pacientes para chegar longe. Se continuar a melhorar, eventualmente, vou lá chegar. Mas agora tenho é de preparar a estreia no Mundial.

Como explica a sua melhoria tão grande nos últimos tempos?

-Houve mais consistência. Não era o melhor nos 100 metros e agora sou. Tenho de ser dedicado e competitivo. Aprendi quais são os meus erros e como os melhorar.

Qual foi o primeiro contacto com o atletismo?

-Comecei por fazer desportos de equipa, como futebol e basquetebol, mas rapidamente me chateei, porque não sobressaía. Decidi experimentar o atletismo, só na desportiva. Comecei nos saltos e acabei por gostar. O formato aqui em Inglaterra é diferente do de Portugal. Há mais provas e pude experimentar um pouco de tudo, até terem visto que tinha aptidão para a velocidade.

Vivendo desde os seis anos em Inglaterra e tendo pais guineenses, o que o levou a querer representar Portugal?

-Nunca me senti como inglês. O meu pai veio para Birmingham tirar o mestrado, fizemos vida aqui e acabei por estudar cá, mas eu e a minha mãe falamos sempre português em casa, para nunca perder a ligação a Portugal. No verão, vou sempre para Lisboa ou a Margem Sul. Quando comecei o desporto, com 17 anos, notei que tinha talento e soube logo que se um dia representasse um país seria Portugal. Quem me conhece sabe o quanto gosto de ser português. Sinto o hino como sendo meu.

Viaja muitas vezes para Portugal?

-Sim, mas agora só quase por causa do atletismo. Já quase não tenho férias, mas este ano vou a Portugal no final de agosto.

Começou a fazer-se notado em 2011. Lembra-se de como aconteceu?

-Em Portugal, temos um amigo de família a quem chamamos "primo", o Edivaldo Monteiro. Foi atleta do Sporting durante muitos anos e representou o país. Quando decidi que queria correr por Portugal, o meu pai encaminhou-me para o Edivaldo, que me inscreveu no Clube de Atletismo de Baixa da Banheira, na Margem Sul. Ele foi o meu guia neste percurso. Nesse ano, fui campeão nacional de sub-23 nos 200 metros e no seguinte, dei o salto para o Sporting.

Sendo já uma estrela da velocidade nacional, ainda se sente pouco conhecido dos portugueses?

-Sim, mas isso é normal. Posso ser só conhecido dentro da modalidade, por não fazer o calendário português, por ter feito vida em Inglaterra e estudar lá. Mas espero mudar isso com o tempo.

AdChoices
AdChoices

Mais de O Jogo

image beaconimage beaconimage beacon