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Detenção de muçulmanos divide opiniões após ataques no norte de Moçambique

Logótipo de O Jogo O Jogo 17/10/2017 Administrator

Um dos líderes religiosos de Mocímboa da Praia, norte de Moçambique, queixa-se de detenções abusivas de muçulmanos após os ataques armados à polícia da vila, mas as opiniões dividem-se: um outro dirigente considera-as um mal necessário.

Os ataques com catanas e metralhadoras já terão provocado pelo menos 28 mortos (seis elementos das autoridades, 19 atacantes e um líder comunitário) e um número indeterminado de feridos, desde 05 de outubro.

De acordo com os testemunhos da população e o relato das autoridades, os agressores são residentes na vila que aderiram a um grupo de inspiração islâmica radical, da qual as organizações muçulmanas moçambicanas já se distanciaram.

No entanto, a mira das autoridades parece estar apontada para "cada qual que usa batina (túnica)", refere Amade Suleimane Juma, que apela ao Governo para que "arranje maneira" de travar as detenções sem prova na província de Cabo Delgado.

"Estamos com medo, pânico", descreve este líder islâmico de Mocímboa, numa altura em que está a interceder pela libertação de cinco familiares em Pemba e de um colaborador em Palma, além de ter conhecimento de outras detenções que considera injustificadas.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) anunciou a 10 de outubro, cinco dias após o início dos confrontos na vila, que já tinha detido 52 pessoas.

Fonte policial na vila referiu mais tarde à Lusa que, após averiguações, várias daquelas pessoas já tinham sido libertadas.

Tuaha Hassane, outro dirigente islâmico da vila, entende que se deve privilegiar a denúncia para "purificar fileiras", mesmo que isso leve a excesso de zelo nas detenções.

"A cobra já entrou no armário e, para a matarmos, o açucareiro vai se embora, loiça vai se partir, não há outro meio", refere à Lusa.

"Devemos denunciar esses malfeitores", mesmo que seja "um filho", conclui.

Um jovem que reside e trabalha em Mocímboa da Praia disse à Lusa que, agora, "com toda a gente a fazer denúncias", tem "medo de ser muçulmano" e de ostentar as suas referências.

Arrumou a túnica por uns tempos e tão cedo já não vai deixar crescer a barba.

Saidane Assane, 26 anos, relata o mesmo receio em relação a algumas peças: "os [meus] amigos vão logo dizer que esse vestuário não dá" porque "eles usaram a capa do muçulmanismo".

Num discurso feito na última semana, o administrador do distrito, Rodrigo Puruque, pediu aos membros da comunidade muçulmana para não abdicarem dos hábitos e costumes por receio de serem confundidos com os agressores.

"Ele tem razão", refere o jovem de Mocímboa.

"Mas e se aparece outra pessoa que te aponta como sendo um dos do grupo? Vais usar [túnica]? Tens que deixar [de vestir] para andar à vontade e cuidar da família".

Depois da primeira sequência de ataques armados, no dia 05, o grupo conhecido localmente como "os Al-Shabaab" - mas sem ligação aparente com a organização terrorista do sul da Somália - é suspeito de ter voltado a atacar uma patrulha policial, desta vez no mato, na quinta-feira, dia 12.

Alguns residentes na vila relatam ainda ter ouvido tiros, ao longe, na manhã de domingo, razões que tornam difícil conquistar sossego.

"Ninguém dorme bem", refere Amade Suleimane Juma, que pede "um esforço" do Governo para que a ameaça "não volte mais".

Felisberto Morais fica preocupado de cada vez que vê um carro parar à porta de casa e a mulher, Maria Camissa, levantasse sempre a meio da noite para verificar "se está tudo bem" no exterior.

Tuaha Hassane até dorme bem - porque conheceu de perto a guerra, diz -, mas também acha recomendável um reforço e até tem um plano.

"Se possível, aquela zona [de mato, que pode ainda albergar insurgentes] devia de passar por um pequena ameaça. Uma manobra militar em helicóptero".

Para atenuar a insegurança que tem marcado o mês de outubro.

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