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Dificuldades das 'low-cost' não afastam necessidade de aeroporto em Lisboa - especialistas

Logótipo de O Jogo O Jogo 28/10/2017 Administrator

As dificuldades em companhias aéreas 'low-cost', como a cessação da atividade da Air Berlin, a falência da Monarch ou o cancelamento de voos da Ryanair, não afastam a necessidade de um aeroporto complementar em Lisboa, consideram especialistas.

Para Pedro Quelhas Brito, coordenador em Gestão de Turismo e Hotelaria na Porto Business School, os problemas em algumas companhias de baixo custo ('low-cost') serão ultrapassados: "Esta situação é provisória, os vazios serão preenchidos por outros ou será retomada a normalidade durante 2018. [...] Além disso, o Aeroporto Humberto Delgado [em Lisboa], mesmo num cenário pessimista, não tem capacidade e muito menos flexibilidade horária".

Opinião partilhada pelo vice-presidente da Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA), João Santos Costa, que acrescenta que o aeroporto de Lisboa está completamente desfasado daquilo que são as recomendações nas vertentes segurança, ecológica e capacidade de expansão futura.

Pedro Quelhas Brito recordou que "o modelo de crescimento nos últimos dez anos baseou-se numa política de facilitação/promoção de novas rotas e a solução mais rápida para crescer foi recorrer a outras companhias já instaladas e com forte expansão", pois "com a TAP nunca seria suficiente cumprir tais objetivos".

Ser "'low-cost' implicava também ser demasiado 'low-price' [baixo preço] e este modelo de negócio supõe planear tudo para aproveitar ao máximo os subsídios dos governos para reduzir os custos em terra, ter a máxima flexibilidade operacional e de recursos humanos, [no entanto], há limites na flexibilidade, nem toda a gente pode substituir um piloto", acrescentou.

O vice-presidente da APPLA referiu que a situação que se tem verificado nas companhias de baixo custo não pode ser vista como um todo, porque as razões diferem de caso para caso.

"Enquanto na Ryanair o problema atual é, em grande parte, resultado o seu modo de operação, em que as condições salariais e de prestação de trabalho oferecidas à maioria dos seus funcionários são bastante desfavoráveis, no caso da Monarch resulta da queda de procura dos destinos [...], já no caso da Air Berlin [que hoje cessa operações] foi o fim do financiamento por parte de uma grande companhia aérea do Médio Oriente", afirmou.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da ANA -- Aeroportos disse que "os cenários de evolução de procura de transporte aéreo na região de Lisboa não são afetados pelas situações em causa e as projeções continuam a apontar para um aumento do tráfego aéreo de/para a cidade de Lisboa".

A ANA acompanha "com muita atenção estes movimentos", que "acontecem nas companhias aéreas como noutros setores e respondem ao normal funcionamento do mercado" e "não se podem tirar ilações sobre uma tendência generalizada que afete as companhias 'low-cost', acrescentou a mesma fonte.

"Tratam-se de ajustes e medidas de gestão diferentes para as companhias referidas, e que têm a ver exclusivamente com os seus modelos de gestão e condições de mercado, e que não produzem efeitos a prazo na procura e desenvolvimento das regiões na sua globalidade. Pela parte da ANA, a nossa principal preocupação nestes casos é garantir que conseguimos minimizar os efeitos negativos para a nossa atividade, quer a nível operacional, quer a nível comercial", acrescentou.

O número de passageiros que utilizaram os aeroportos portugueses teve um crescimento homólogo de 15% para 16,6 milhões entre julho e setembro, e, no conjunto dos primeiros nove meses deste ano, o aumento foi de 17,7%, correspondente a 40,1 milhões de passageiros, segundo os últimos dados divulgados pela Vinci Airports.

No aeroporto de Lisboa, no terceiro trimestre, houve um crescimento homólogo de 16% para mais de 8 milhões de passageiros e, entre janeiro e setembro, a subida foi de quase 20% para 20,2 milhões de passageiros.

Segundo o último boletim estatístico da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), referente ao segundo trimestre deste ano, no aeroporto de Lisboa a TAP era a principal companhia em termos de passageiros transportados, com uma quota de 48%, seguindo-se as 'low-cost' Ryanair (12%) e easyJet (9%).

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