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Divisas na banca angolana aumentam 42% e garantem operações de companhias aéreas

Logótipo de O Jogo O Jogo 10/07/2017 Administrator

A venda de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) à banca comercial aumentou 42 por cento na última semana, face à anterior, para 236,4 milhões de euros, garantindo nomeadamente operações das companhias aéreas.

A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, entre 03 e 07 de julho, e surge após os 166,4 milhões de euros e 143,7 milhões de euros disponibilizados nas duas semanas anteriores.

Segundo o documento, consultado pela Lusa, as divisas vendidas - mantêm-se exclusivamente em euros há mais de um ano -, equivalentes a 264,1 milhões de dólares, cobriram as necessidades do setor petrolífero (53,7 milhões de euros), bem como operações com cartas de crédito asseguradas pelo BNA (42,5 milhões de euros), neste caso para atender as necessidades de importação de bens alimentares e para o setor produtivo.

O setor das Telecomunicações recebeu, na primeira semana de julho, divisas no montante de 37,8 milhões de euros, enquanto as companhias aéreas internacionais, que se queixam de grandes quantidades de lucros por repatriar para os países de origem, como é o caso da portuguesa TAP, receberam, no mesmo período, 27,2 milhões de euros, em divisas.

Os bolseiros angolanos que estudam fora do país receberam, em operações com divisas, 3,4 milhões de euros, na última semana, segundo o BNA.

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada pelo banco central no final da última semana, manteve-se praticamente inalterada nos 166,743 kwanzas por cada dólar e nos 186,297 kwanzas por cada euro, e praticamente sem mexidas há mais de um ano.

No mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, cada dólar norte-americano custa à volta de 380 kwanzas.

Angola enfrenta desde finais de 2014 uma crise financeira e económica, com a forte quebra das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade.

Esta conjuntura levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando nomeadamente as importações.

Além disso, devido à suspensão de acordos com bancos estrangeiros para correspondentes bancários para compra de dólares desde 2016, a banca angolana apenas consegue comprar divisas ao BNA, no caso euros, como explicou em abril o governador do banco central.

"Não poderíamos ter o azar de os bancos correspondentes deixarem de fazer operações em euros. E havia este risco. Já perdemos as operações em dólares. Se perdêssemos as operações em euros era uma catástrofe para Angola, porque Angola deixaria de importar medicamentos, alimentação e todos os outros produtos necessários", disse Valter Filipe.

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