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Divisas na banca angolana sobem 85% e garantem 9MEuro para salários de expatriados

Logótipo de O Jogo O Jogo 23/10/2017 Administrator

A venda de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) à banca comercial aumentou mais de 85%, face à anterior, para 226,3 milhões de euros, voltando a garantir, nomeadamente, transferências de salários de trabalhadores expatriados.

A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, entre 16 e 20 de outubro, e surge após os 122,2 milhões de euros e 111,9 milhões de euros disponibilizados à banca nas duas semanas anteriores.

Segundo o documento, consultado hoje pela Lusa, as divisas vendidas - mantêm-se exclusivamente em euros há um ano e meio -, equivalentes a 252,9 milhões de dólares, cobriram essencialmente as operações do setor petrolífero (152,2 milhões de euros) e a importação de alimentos (27 milhões de euros).

Foram ainda cobertas, segundo o BNA, as necessidades de importações para os setores da Agricultura (12 milhões de euros) e das Pescas (5,8 milhões de euros).

Depois de várias semanas sem divisas, o BNA voltou a disponibilizar moeda estrangeira para garantir as transferências para o exterior dos salários de trabalhadores expatriados, neste caso vendendo nove milhões de euros, tal como na semana anterior. O mesmo valor em divisas foi vendido pelo BNA para a cobertura de operações com cartões de pagamento internacional e para operações com viagens, ajuda familiar, saúde e educação.

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada pelo banco central no final da última semana, manteve-se inalterada nos 166,748 kwanzas por cada dólar e nos 186,302 kwanzas por cada euro, sem mexidas significativas há um ano e meio.

No mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, cada dólar norte-americano custa à volta de 400 kwanzas.

Angola enfrenta desde finais de 2014 uma crise financeira e económica, com a forte quebra das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade.

Esta conjuntura levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando nomeadamente as importações.

Além disso, devido à suspensão de acordos com bancos estrangeiros para correspondentes bancários para compra de dólares desde 2016, a banca angolana apenas consegue comprar divisas ao BNA (euros), como explicou anteriormente o governador do banco central.

"Não poderíamos ter o azar de os bancos correspondentes deixarem de fazer operações em euros. E havia este risco. Já perdemos as operações em dólares. Se perdêssemos as operações em euros era uma catástrofe para Angola, porque Angola deixaria de importar medicamentos, alimentação e todos os outros produtos necessários", disse Valter Filipe.

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