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Divisas nos bancos comerciais angolanos caem 62% numa semana

Logótipo de O Jogo O Jogo 14/08/2017 Administrator

A venda de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) à banca comercial caiu 62 por cento na última semana, face à anterior, para 150,6 milhões de euros, garantindo nomeadamente necessidades das companhias aéreas.

A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, entre 07 e 11 de agosto, e surge após os 399,8 milhões de euros e 170,3 milhões de euros disponibilizados nas duas semanas anteriores.

Segundo o documento, consultado hoje pela Lusa, as divisas vendidas - mantêm-se exclusivamente em euros há mais de um ano -, equivalentes a 168,2 milhões de dólares, cobriram as necessidades de vários setores (27,7 milhões de euros), bem como operações do setor das Telecomunicações (nove milhões de euros) e para cartas de crédito do BNA para cobertura de operações dos setores Produtivo, Saúde e Bens Alimentares (52,6 milhões de euros).

As companhias aéreas, que se queixam de perto de 500 milhões de dólares em depósitos em moeda nacional por repatriar para os países de origem, receberam na última semana mais 32,3 milhões de euros em divisas.

A portuguesa TAP (com 100 milhões de euros retidos) ou a Emirates (que reduziu este mês ligações para Luanda devido a esta conjuntura), são dois exemplos dessas queixas.

Em cinco semanas, as transportadoras aéreas receberam assim 84,5 milhões de euros em divisas vendidas pelo BNA.

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada pelo banco central no final da última semana, manteve-se inalterada nos 166,745 kwanzas por cada dólar e nos 186,299 kwanzas por cada euro, praticamente sem mexidas há mais de um ano.

No mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, cada dólar norte-americano custa à volta de 390 kwanzas.

Angola enfrenta desde finais de 2014 uma crise financeira e económica, com a forte quebra das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade.

Esta conjuntura levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando nomeadamente as importações.

Além disso, devido à suspensão de acordos com bancos estrangeiros para correspondentes bancários para compra de dólares desde 2016, a banca angolana apenas consegue comprar divisas ao BNA (euros), como explicou em abril o governador do banco central.

"Não poderíamos ter o azar de os bancos correspondentes deixarem de fazer operações em euros. E havia este risco. Já perdemos as operações em dólares. Se perdêssemos as operações em euros era uma catástrofe para Angola, porque Angola deixaria de importar medicamentos, alimentação e todos os outros produtos necessários", disse Valter Filipe.

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