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Divisas vendidas à banca angolana caem 17% na última semana

Logótipo de O Jogo O Jogo 28/08/2017 Administrator

A venda de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) à banca comercial desceu quase 17 por cento na última semana, face à anterior, para 169,4 milhões de euros, sobretudo para garantir as necessidades do setor petrolífero.

A informação consta do relatório semanal do BNA sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, entre 21 e 25 de agosto, e surge após os 203,8 milhões de euros e 150,6 milhões de euros disponibilizados nas duas semanas anteriores, valores mínimos do ano.

Segundo o documento, consultado hoje pela Lusa, as divisas vendidas - mantêm-se exclusivamente em euros há mais de um ano -, equivalentes a 189,3 milhões de dólares, cobriram as necessidades de vários setores (33 milhões de euros), bem como operações do setor Petrolífero (53,7 milhões de euros) e para cartas de crédito do BNA para cobertura de operações dos setores da Agricultura, Indústria e Bens Alimentares (59,4 milhões de euros).

Há ainda registo de um valor residual disponibilizado na última semana para garantir a transferência de salários de trabalhadores expatriados, no valor de 207,4 mil euros.

A taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada pelo banco central no final da última semana, manteve-se inalterada nos 166,746 kwanzas por cada dólar e nos 186,300 kwanzas por cada euro, sem mexidas significativas há um ano e meio.

No mercado de rua, a única alternativa, embora ilegal, face à falta de divisas aos balcões dos bancos, cada dólar norte-americano custa à volta de 390 kwanzas.

Angola enfrenta desde finais de 2014 uma crise financeira e económica, com a forte quebra das receitas com a exportação de petróleo devido à redução da cotação internacional do barril de crude, tendo em curso várias medidas de austeridade.

Esta conjuntura levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando nomeadamente as importações.

Além disso, devido à suspensão de acordos com bancos estrangeiros para correspondentes bancários para compra de dólares desde 2016, a banca angolana apenas consegue comprar divisas ao BNA (euros), como explicou anteriormente o governador do banco central.

"Não poderíamos ter o azar de os bancos correspondentes deixarem de fazer operações em euros. E havia este risco. Já perdemos as operações em dólares. Se perdêssemos as operações em euros era uma catástrofe para Angola, porque Angola deixaria de importar medicamentos, alimentação e todos os outros produtos necessários", disse Valter Filipe.

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