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Documentário sobre arquiteto Ventura Terra em antestreia na Cinemateca

Logótipo de O Jogo O Jogo 12/10/2017 Administrator

O documentário "Ventura Terra - Projetar a Modernidade", de Fernando Carrilho, sobre o arquiteto que marcou a Lisboa do início do século XX, vai ter antestreia a 17 de outubro, na Cinemateca Portuguesa, anunciou hoje esta entidade.

A sessão de antestreia do filme - produzido pelo Arquivo Municipal de Lisboa -- Videoteca e Terra Esplêndida, está marcada para as 21:30, na Sala M. Félix Ribeiro, com a presença do realizador.

Este documentário foi preparado em paralelo à exposição documental "Do útil e do bello", patente em Lisboa até 21 de outubro, e mostra o trabalho do arquiteto Miguel Ventura Terra (1866-1919), apresentando-o como uma "figura incontornável da arquitetura portuguesa do início do século XX, [que] marcou indelevelmente a cidade de Lisboa".

Conciliando a formação nas Beaux-Arts de Paris com as inovações técnicas emergentes, Ventura Terra - republicano convicto e filantropo - contribuiu para o despontar do modernismo em Portugal.

Na exposição "Do útil e do bello", ainda patente no Torreão Poente, da praça do Comércio, inaugurada em julho, na véspera dos 150 anos de nascimento do arquiteto, podem ver-se esboços, plantas, alçados e fotografias de edifícios projetados por Ventura Terra.

Ocupando uma área de quase 400 metros quadrados, a mostra divide-se em cinco núcleos temáticos: "Família e estudante", "A prática da arquitetura", "O vereador", "Sociedade dos Arquitetos Portugueses" e "Comissão dos Monumentos Nacionais", culminando com uma projeção em vídeo dos cinco prédios em Lisboa considerados mais emblemáticos, entre os concebidos pelo arquiteto.

Palácio das Cortes (atual Assembleia da República), Sinagoga Shararé Tikvá, Palacete Mendonça, Liceu Camões e Teatro Politeama são os edifícios exibidos no vídeo que encerra a exposição, comissariada também pelas investigadoras Ana Isabel Ribeiro e Rita Megre.

A título de epílogo, a mostra contempla ainda dois mapas, um de Lisboa e outro de Portugal, com a distribuição das obras do arquiteto nascido em Seixas, Caminha, a 14 de julho de 1866, que morreu em Lisboa, aos 53 anos.

Ao longo da exposição, os visitantes ouvem as intervenções do arquiteto enquanto foi vereador da Câmara de Lisboa, entre 1908 e 1913, e, por um curto período, em 1917.

Do nascimento, em Seixas -- localidade que nunca abandonou ao longo da vida assim como não o fez a familiares nem amigos --, até à ida, com 15 anos, para o Porto, onde fez o curso de Arquitetura Civil (1884), na Academia Portuense de Belas Artes, ou à ida para Paris, em 1886, quando ficou em primeiro lugar no concurso de pensionista (bolseiro) do Estado da Classe de Arquitetura Civil, tudo é possível ver na exposição.

O empenho cívico do arquiteto, republicano convicto, é outra das facetas do criador, patente na mostra, demonstrada na importância como membro da Sociedade Portuguesa dos Arquitetos Portugueses -- foi, em 1903, o primeiro presidente do Conselho Diretor desta entidade -, enquanto elemento da Comissão dos Monumentos Nacionais, organismo em que permaneceu até morrer, em 1919, e no qual se bateu pela conclusão da Igreja de Santa Engrácia e sua transformação num panteão.

A Casa Ventura Terra (1903), o Palácio Valmor (1906), o Palacete Mendonça (1909), a Casa de António Thomaz Quartin (1911) e a Casa de Artur Prat (menção honrosa 1913) perfazem a lista de prémios Valmor obtidos por Ventura Terra.

Organizada pelo pelouro da Cultura da autarquia de Lisboa, a exposição conta, entre outros apoios, com a colaboração da Associação Ventura Terra, que integra familiares do arquiteto.

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