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Dois militares e um jovem mortos em atos de violência política no Togo -- Governo

Logótipo de O Jogo O Jogo 17/10/2017 Administrator

Dois militares e um jovem foram mortos segunda-feira à noite na sequência de violentos confrontos em Sokodé, centro-norte do Togo, após a detenção de um imã próximo de um partido da oposição, indicou hoje o Governo togolês.

"Dois militares em serviço no domicílio de uma personalidade foram linchados e executados e as suas armas e munições roubadas. Um jovem encontrou também a morte e registaram-se cerca de 20 feridos entre civis e as forças da ordem", lê-se num comunicado governamental, que considera os incidentes como "atos terroristas".

Os incidentes em Sokodé, segunda maior cidade do país, começaram pouco depois da detenção do imã Alpha Alassane, ação concretizada pela polícia local, que chegou à residência do religioso a bordo de cinco viaturas.

"A eletricidade foi cortada cerca de 19:00 (mesma em Lisboa), após as orações. A população indignou-se e saiu para as ruas e os protestos prolongaram-se pela madrugada", relatou hoje à France-Presse o coordenador da Aliança Nacional para a Mudança (ANC, na sigla francesa, oposição), Ouro Akpo Tchagnaou.

"Sabemos que há mortos e feridos, mas não consigo fazer qualquer balanço. Estamos a tentar obter informações. Várias habitações foram incendiadas, o mesmo acontecendo às instalações de um banco e a um edifício onde está instalada a TogoCell (operadora de telecomunicações local)", acrescentou, por seu lado, o porta-voz do ANC, Eric Dupuy.

Após os incidentes da noite e madrugada, a calma regressou de manhã em Sokodé, mas a população local já ameaçou com novos protestos na rua se o imã não for libertado até ao princípio da tarde.

O ministro da Segurança togolês, coronel Yark Damehame, justificou a detenção do imã, próximo do Partido Nacional Panafricano (PNP), pelo facto de, nos seus sermões, "apelar aos seus fiéis à violência e ao ódio" e a "matar elementos do exército".

Os protestos estenderam-se também à cidade vizinha de Bafilo, onde grupos de jovens ergueram barricadas e bloquearam a principal estrada nacional que liga o sul, onde se situa a capital, Lomé, ao norte do Togo.

O imã Alassane sempre foi considerado uma "voz contestatária" no Togo. No entanto, no contexto das fortes tensões políticas que se registam há maios de dois meses, o religioso aproximou-se do PNP.

O PNP, liderado por Tikpi Atchadam, nova figura de proa da oposição togolesa, aliou-se a 13 outras forças oposicionistas para exigir o cumprimento constitucional da limitação de mandatos presidenciais e a demissão do chefe de Estado Faure Gnassingbé, eleito em 2005 em eleições polémicas, e herdeiro de uma família que está no poder no Togo há 50 anos.

Faure Gnassingbé é filho de Gnassingbé Eyadema, presidente entre 1967 e 2005, ano em que faleceu na sequência de um ataque cardíaco.

Desde agosto, o Togo tem sido palco de numerosas manifestações, entre elas as realizadas a 06 e 07 de setembro, que juntaram mais de 100 mil pessoas em Lomé e várias dezenas de milhar nas cidades do norte do país, tradicionalmente apoiantes do clã Eyadema, mas que, atualmente, se tornaram um feudo da oposição.

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