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EDP tem flexibilidade para absorver impacto da descida das tarifas da luz - Moody's

Logótipo de O Jogo O Jogo 19/10/2017 Administrator

A Moody's considera que a descida das tarifas de eletricidade no próximo ano, proposta pelo regulador da energia, vai diminuir o retorno da EDP, mas que o grupo liderado por António Mexia será capaz de absorver o impacto negativo.

Numa nota sobre o impacto para a EDP da proposta da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), de descida em 0,2% das tarifas da luz no próximo ano, o analista da Moody's Niel Bisset defende que "a proposta de tarifas de eletricidade para 2018 recentemente publicada vai reduzir o retorno da distribuição de energia em mercado regulado".

"No entanto, a EDP tem flexibilidade para absorver o modesto impacto negativo nos lucros e manter a previsão de crescimento do EBITDA de 3% entre 2016-20, incluindo a orientação de um EBITDA de 3,6 mil milhões de euros em 2017", afirmou o vice-presidente da agência de notação financeira.

Na passada sexta-feira, 13 de outubro, a ERSE propôs uma descida de 0,2% das tarifas de eletricidade no mercado regulado para as famílias a partir de 01 de janeiro, a primeira descida desde 2000.

Em comunicado, a ERSE explica que esta proposta resulta da "conjugação de vários fatores com impactos em sentidos opostos", mas desde logo uma redução em 0,9% das tarifas de acesso às redes e de 10,6% da tarifa do uso de redes.

A proposta tarifária propõe uma diminuição de cerca de 744 milhões de euros à dívida tarifária, valor que é superior à soma das diminuições verificadas em 2016 e 2017, que totalizaram 693 milhões de euros.

"Esta considerável amortização da dívida contribui significativamente para a pressão tarifária, mas a ERSE entende que se justifica pela necessidade de reforçar o percurso já iniciado para o equilíbrio do sistema, garantindo, assim, a sustentabilidade do mesmo", refere.

Também a evolução dos custos dos combustíveis impediu uma redução superior das tarifas já que houve um "incremento dos custos com os combustíveis fósseis, designadamente do carvão, o que contribui para o aumento dos custos de produção de energia, com reflexo num incremento da tarifa de energia".

Ao contrário do ocorrido nos três últimos anos, a ERSE optou por não considerar "a reversão para as tarifas de 2018 de parte das verbas do Fundo de Sustentabilidade do Setor Energético, visto as transferências que efetivamente ocorreram até à data serem residuais face aos valores previstos".

Neste fundo deveria estar uma parte da Contribuição Extraordinária do Setor Energético (CESE), que desde 2014 é cobrada às empresas energéticas.

Por outro lado, a proposta tarifária reflete a melhoria do nível de desempenho das empresas alcançado durante o período que termina em 2017 e a transferência para os consumidores de energia elétrica de parte dos ganhos de eficiência obtidos pelas empresas.

A ERSE refere ainda o contributo de um conjunto de medidas legislativas: a estabilização da produção em regime especial (PER), isto é, subsidiada, na sequência da estagnação da capacidade instalada que aufere de preços garantidos.

"Adicionalmente, o custo por unidade produzida tem vindo a diminuir, particularmente devido à redução do custo da cogeração, em resultado do fim do regime bonificado de alguns cogeradores a fuelóleo e da redução das tarifas desta tecnologia por via legislativa", acrescenta.

Contribuíram também a diminuição do nível dos custos de interesse económico geral (CIEG) a recuperar pelas tarifas e a introdução de um mecanismo de mercado na atribuição da remuneração da reserva de segurança prestada ao Sistema Elétrico Nacional (SEN) fornecidos pelos produtores de energia elétrica e outros agentes de mercado.

Esta descida das tarifas da eletricidade, proposta pela ERSE, será avaliada pelo Conselho Tarifário, órgão do regulador, e depois o Conselho de Administração da ERSE aprova, até 15 de dezembro, as tarifas para a eletricidade que entram em vigor em 01 de janeiro de 2018.

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