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Embaixador turco em França diz que o seu país "foi enganado" no processo de adesão à UE

Logótipo de O Jogo O Jogo 07/09/2017 Administrator

O embaixador da Turquia em França considerou hoje que o seu país "foi enganado" no decurso das negociações de adesão à União Europeia (UE), atualmente bloqueadas, e acusou a Europa de "não ter dito toda a verdade".

"Desde há anos que nos fazem esperar na antecâmara. Sim, fomos enganados, temos a impressão de que a Europa não nos disse toda a verdade", declarou Ismail Hakki Musa durante uma intervenção no European American Press Club em Paris, e quando a chanceler alemã Angela Merkel já se manifestou pelo fim das negociações com Ancara sobre a sua adesão à UE.

"Não podemos negociar durante anos para depois nos dizerem: 'sabem, enganámo-nos, não têm lugar na nossa casa. Já não pretendemos um casamento, antes uma concubinagem'", insurgiu-se o embaixador, rejeitando a hipótese de uma "parceria privilegiada" como eventual terceira via.

"Uma parceria privilegiada é um tratamento degradante. É muito tarde", declarou, antes de considerar que agora deve ser a Europa a "escolher".

"Esta questão diz respeito à Europa em primeiro lugar, ela deve decidir o seu futuro", prosseguiu, deplorando que a UE "não tenha a sua palavra a dizer nas grandes crises internacionais".

"Sobre a Síria, sobre o Iraque, o Iémen ou o Afeganistão, onde está a Europa? Qual é o discurso europeu? A adesão da Turquia teria permitido que esta União tivesse a sua palavra a dizer e se tornasse verdadeiramente um ator global", considerou.

No domingo, e no decurso de um debate eleitoral, a chanceler Angela Merkel defendeu que a Turquia não deverá tornar-se num membro da União, e quando a situação dos direitos humanos no país euroasiático desde o fracassado golpe de julho de 2016 permanece um dos principais pontos de tensão entre Ancara e a Europa.

As complexas negociações sobre a adesão da Turquia decorrem desde 2005, mas de momento estão bloqueadas na sequência da evolução política no país e do reforço dos poderes do Presidente Tayyip Erdogan, acusado pelos seus opositores de deriva autoritária.

"Aqueles que nos criticam esquecem que Erdogan venceu 13 eleições consecutivas. É necessário levar a sério o povo turco", frisou ainda o representante diplomático de Ancara em Paris, considerando que as "limitações democráticas, as prisões de jornalistas, os direitos humanos" são "questões técnicas", e que a questão da adesão à UE constitui "uma questão política".

Em paralelo, o chefe da diplomacia da Estónia, Sven Mikser, cujo país preside este semestre ao Conselho da UE, garantiu hoje que os Estados-membros não vão tomar qualquer decisão sobre o futuro do processo de adesão da Turquia em 2017, e na sequência das pressões alemãs.

"No que se refere ao estatuto de país candidato da Turquia, não espero que a UE tome qualquer decisão este ano", indicou Mikser aos 'media' à chegada a uma reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União, e onde compareceram como convidados na sessão da manhã os seus homólogos dos países que negoceiam o seu acesso à UE.

O chefe da diplomacia de Tallin disse ainda que os Estados-membros esperam obter em 2017 "uma avaliação da Comissão sobre se a Turquia ainda mantém os critérios" estabelecidos para aderir à União.

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