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Empresário César Araújo lidera credores internacionais na contestação à insolvência da Jaeger

Logótipo de O Jogo O Jogo 12/07/2017 Administrator

O empresário português César Araújo tem esperança de anular a venda da marca britânica de vestuário Jaeger realizada em abril deste ano após forçar os administradores da insolvência a formar um comité de credores.

O presidente executivo da Calvelex liderou um grupo de 16 credores de vários países europeus numa reunião no final de junho com os administradores Alix Partners em Londres.

O encontro, o primeiro cara a cara, foi convocado por insistência dos credores, que exigem uma investigação aprofundada sobre as circunstâncias da falência.

"Queremos saber onde começa e acaba responsabilidade de directores e do acionista", disse hoje o empresário à agência Lusa.

Depois de discussões "acesas, mas construtivas", foi decidida a formação de um comité consultivo informal constituído por fornecedores que terão perdido "milhões de euros" por falta de pagamentos da Jaeger.

Os credores, que não especificam o valor de dívida, consideram suspeita a sua venda e da marca ao grupo Woollen Mill poucos dias antes de ser declarada a falência em 10 de abril, o que inviabilizou a eventual compra da rede de lojas.

A Jaeger foi fundada no Reino Unido em 1884 e vestiu pessoas famosas, desde o explorador Ernest Shackleton na expedição à Antártica às atrizes Marylin Monroe e Audrey Hepburn.

Mas no final dos anos 1960 iniciou um declínio que várias vendas da empresa e tentativas de ressurgimento não conseguiram travar.

Em 2012, o último proprietário, o grupo Better Capital, adquiriu a companhia centenária por 19,5 milhões de libras em 2012 (22 milhões de euros no câmbio atual), e comprometeu-se a dar apoio financeiro à Jaeger.

Em 2016, a Jaeger viu as vendas anuais caírem quase 7%, de 84,2 milhões de libras (94 milhões de euros) em 2015 para 78,4 milhões de libras (88 milhões de euros), resultando num prejuízo antes de impostos de 5,4 milhões de libras (6,05 milhões de euros).

Além da alienação da propriedade da marca e de outros direitos de propriedade intelectual, apenas dias antes da nomeação de administradores judiciais, querem ver investigada a remoção do apoio financeiro da BECAP 12, subsidiária da Better Capital, à Jaeger.

Questionam ainda se os diretores da Jaeger usaram as compras a crédito a fornecedores comerciais como a Calvelex para manter o negócio, apesar de este já estar em vias de colapso, inclusive pressionando no sentido de a entrega de roupa comprada ser acelerada.

"Queremos saber como foi feita transação da venda da marca e se eles sabiam se estava insolvente antes de comprar mercadoria aos fornecedores. Eles pagavam direitinho, ninguém pensava que isto ia acontecer", vincou.

O empresário espera que uma nova reunião seja marcada durante o verão para avaliar os primeiros resultados da investigação.

Um dos resultados pretendidos é a possibilidade de processar os diretores e, se possível, "anular o negócio, ou conseguir que os fornecedores sejam pagos".

César Araújo critica ao sistema de insolvências britânico porque "não protege o credor e não sanciona os gestores".

Fundada em 1985, a Calvelex emprega cerca de 700 empregados e produz um milhão de peças de vestuário por ano, que exporta na totalidade para mais de 50 países.

Segundo o presidente executivo, há 25 anos que a empresa portuguesa faz negócios no mercado britânico, que representa cerca de 10% das suas receitas.

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