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Empresário de Mira acusa Águas do Centro Litoral de poluir terrenos agrícolas

Logótipo de O Jogo O Jogo 13/10/2017 Administrator

Um empresário de Mira acusou hoje a Águas do Centro Litoral (AdCL) de ser a responsável por um foco de poluição que estará a contaminar terrenos de cultivo de agrião, alegação já rejeitada pela empresa.

Administrador da empresa Moinhos do Arraial, situada em Casal de São Tomé (Mira), Rogério Guímaro acusa a AdCL de efetuar descargas poluentes "através de um tubo de grandes dimensões" que faz ligação à ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) das Cochadas, situada no limite da Tocha (concelho de Cantanhede), a montante da sua exploração agrícola.

"Essas descargas poluem as valas que alimentam um lago de 3.600 metros quadrados, dentro da minha quinta. E é aí que se decompõem todos os sedimentos e poluição", explica o empresário, que necessita de água limpa para o cultivo de dois hectares e meio de agriões de água.

O empresário garante que está a ter um prejuízo "de 600 a 800 euros por dia" e promete recorrer a todas as instâncias nacionais e europeias para resolver a situação. Para já, enviou queixas para a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), para a Agência Europeia do Ambiente (AEA), para as autarquias de Cantanhede e Mira e para diversos órgãos de Comunicação Social.

"Com a escassez de água que enfrentamos por estes dias, a situação piorou muito. No lago da quinta, que, em condições normais, tem dois metros e meio de profundidade, tenho agora metro e meio de dejetos", queixa-se o empresário.

Contactada pela agência Lusa, a AdCL rejeitou as acusações, mas prometeu "dar seguimento" à queixa do empresário.

"Informamos que não temos registo (na nossa telegestão) de qualquer descarga no local referido, desde julho de 2017. Contudo, registámos a reclamação e informamos que estamos internamente a dar seguimento à mesma, tendo um técnico da AdCL ido hoje recolher amostras para análise do meio recetor nas imediações da mencionada descarga", revelou a empresa num "e-mail" enviado à Lusa.

O vice-presidente da Câmara de Mira, Nelson Maltês, disse também à Lusa que a autarquia solicitou à APA que "monitorize a situação" através da Autoridade Regional Hídrica do Centro, uma posição semelhante à que terá sido tomada pela Câmara de Cantanhede.

O autarca lembra que as valas que alimentam a Lagoa de Mira (como a da Veia Real ou a dos Moinhos do Arraial, abertas no início do século XX) registam muitas vezes incidentes de poluição relacionados com a existência de muitas explorações agrícolas situadas a montante, quase todas no vizinho concelho de Cantanhede.

O empresário Rogério Guímaro reconhece a existência destes focos de poluição, acrescentando até que apresentou ao longo dos anos "dezenas de queixas" ao Serviço de Proteção da Natureza da GNR, mas garante que desta vez a responsabilidade recai sobre a AdLC.

"Atualmente, a área de cultivo do agrião de água está completamente devastada por necroses, cloroses, e demais fatores de destruição, advindos da água que necessariamente circula para o seu cultivo", explica o empresário na queixa enviada às autoridades.

A propósito desta situação, a Águas do Centro Litoral lembra que tem vindo a investir na melhoria das condições nos municípios de Mira e Cantanhede, "tendo recentemente [julho] concluído uma empreitada que vem aumentar a capacidade das estações elevatórias EECT4 (Cochadas - Cantanhede), EES1 (Mira), EES2 (Lagoa - Mira) e EES4 (Gafanha do Areão - Vagos), através da alteração dos grupos de bombagem e quadros elétricos, originando um aumento da capacidade de bombagem na ordem dos 15% a 20%".

Esta obra "vem mitigar" os problemas de aumento de caudal registado nos municípios de Mira e Cantanhede, até à construção de uma nova ETAR", que deverá ficar situada em Mira, garante a porta-voz da AdCL.

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