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Encenador Pippo Delbono continua a fazer luto da mãe, no regresso ao Festival de Almada

Logótipo de O Jogo O Jogo 14/07/2017 Administrator

O encenador italiano Pippo Delbonno regressa ao Festival de Almada, no sábado e no domingo, três anos depois de ter aberto o certame com "Orquídeas", agora com "Evangelho", criação elaborada sobre um pedido da mãe, no leito de morte.

"Evangelho" terá duas representações, na sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM), em Lisboa, no sábado, às 21:00, e no domingo, às 16:00, sessão que encerra a temporada 2016/2017 desta sala de espetáculos.

Comovente e íntima é, no mínimo, a explicação da obra pelo ator, encenador, realizador e dramaturgo que, com a companhia homónima, continua a fazer o luto da mãe, já presente em "Orquídeas", um espetáculo sobre as diversas formas de amor.

Em 2012, no leito de morte, a mãe de Pippo Delbono, "uma típica mãe italiana e uma mulher religiosa", pediu-lhe que fizesse um espetáculo sobre religião.

O encenador já filmara a mãe no leito de morte. Algumas dessas imagens utilizou-as no filme "Sangue", com que obteve uma menção honrosa no DOCLisboa em 2013. Sequências desse filme foram também utilizadas em "Orquídeas".

Em "Evangelho", o criador italiano faz agora "uma missa a um tempo laica e lírica, que opõe 'a graça da fé' às violências e aos massacres perpetrados em seu nome", como descreve o programa do Festival.

"Sem desejar falar diretamente do Evangelho mas antes da vida, do nosso tempo tão complicado de contar, sei ainda que qualquer coisa das Escrituras -- aquela necessidade de amor que a minha mãe evocava -- pulsará forçosamente no espetáculo", afirma Delbono sobre esta obra.

Quinze atores, incluindo Pippo Delbono -- responsável pelo texto e pela encenação - completam o elenco desta peça, uma produção do Teatro Nacional Croata, juntamente com o Théâtre Vichy-Lausanne, a Maison de la Culture d´Amiens -- Centre de Création et de Prodution de Théâtre de Liège, com o apoio do Instituto Italiano de Cultura.

Falada em italiano e croata, a peça terá legendas em português.

No sábado, a 34.ª edição do Festival de Almada proporciona ainda "A morte do príncipe", uma dramaturgia e encenação de Ricardo Boléo, a partir de textos de Fernando Pessoa, Heiner Müller e William Shakespeare.

A peça terá uma representação, no Auditório Fernando Lopes-Graça, no Fórum Municipal Romeu Correia (Almada), às 15:00, e faz parte do ciclo dedicado ao "Novíssimo teatro português".

A decorrer até dia 18, esta edição do Festival é preenchida com 44 produções de teatro, dança e música, das quais 27 são espetáculos de sala. Destes, 13 são produções portuguesas, cinco delas em estreia.

Em paralelo, há ainda espetáculos e animação de rua, concertos, exposições e debates.

Organizado pela Companhia de Teatro de Almada (CTA) e dirigido pelo diretor da companhia, Rodrigo Francisco, o festival está orçado em 820.000 euros - 257.000 são investidos pela câmara local, 363.000 resultam de parcerias e de receitas próprias do certame, e 200.000 provêm dos subsídios atribuídos pela Direção-Geral das Artes (metade do financiamento da DGArtes à companhia).

Casa da Cerca/Centro de Arte Contemporânea, Teatro Municipal Joaquim Benite, Teatro-Estúdio António Assunção, Incrível Almadense e Fórum Romeu Correia, em Almada, Teatro Taborda, Teatro Nacional D. Maria II, Centro Cultural de Belém, em Lisboa, são os locais onde decorrem as representações.

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