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ENTREVISTA: É impossível baixar dívida pública de Cabo Verde no curto prazo -- Ministro das Finanças

Logótipo de O Jogo O Jogo 20/07/2017 Administrator

A dívida pública de Cabo Verde, estimada acima dos 132% do PIB, vai continuar a aumentar, refletindo as responsabilidades com a companhia aérea pública e dívidas não contabilizadas, de acordo com o ministro das Finanças, Olavo Correia.

"Não é possível baixar a dívida agora. A dívida só vai aumentar", disse Olavo Correia em entrevista à agência Lusa, adiantando que existiam dívidas não contabilizadas equivalentes a mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) cabo-verdiano.

Olavo Correia fala de dívidas de empresas públicas deficitárias como a Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) ou a empresa de transportes marítimos Cabo Verde Fast Ferry, dívidas à previdência social (INPS), a fornecedores e ao sistema financeiro.

"No curto prazo será quase impossível baixar o peso da dívida no PIB. Quando se assumirem as responsabilidades da TACV (que tem mais de 100 milhões de euros de passivo) e se limparem todas as situações do passado que não estavam contabilizadas, a dívida vai ter de aumentar", disse.

Com um serviço de dívida a rondar os 7% do PIB, Olavo Correia assinala que é o passivo global acumulado que preocupa o Governo, por representar um risco fiscal e criar a perceção de um país altamente endividado.

Para o ministro das Finanças, só dentro de dois anos será possível começar a pensar em reduzir o peso da dívida.

"Neste momento estamos a sanear e a reestruturar, o que significa assumir responsabilidades e assumir significa aumentar a dívida. Mas o mais importante é termos uma estratégia para diminuir o peso da dívida no PIB, quer através de uma nova política de investimento público, quer pela via do crescimento da economia", disse.

Na entrevista à agência Lusa, o ministro das Finanças relativizou o facto de o Banco Mundial manter suspensa a ajuda orçamental, adiantando que os fundos para projetos da organização continuam a entrar no país.

"É preciso desmistificar. O apoio orçamental do Banco Mundial não é donativo, é uma dívida, um empréstimo. Temos estado a avançar em matéria de projetos normalmente, a ajuda orçamental está condicionada a determinados progressos em matéria de reestruturação do sistema empresarial do estado", disse.

Cabo Verde pode usar os dinheiros do Banco Mundial para ajuda orçamental ou para projetos, e segundo o ministro, neste momento as verbas estão a ser usadas para projetos.

"Os dinheiros estão a entrar e vão continuar a entrar", disse adiantando que a suspensão se aplica à entrada direta de dinheiro para o orçamento, num valor que é definido por Cabo Verde, até um limite máximo de 15 milhões de euros.

Questionado sobre se Cabo Verde passa bem sem a ajuda orçamental do Banco Mundial, Olavo Correia sustentou que não são as ajudas que resolvem o problema do país.

"Cabo Verde não pode viver nem bem nem mal com ajuda, porque não são as ajudas que resolvem os problemas do país, o que resolve são as reformas que temos que empreender. A ajuda orçamental é um empréstimo, é uma dívida para ser paga. Se for mal alocada, temos um problema", disse.

O novo programa do Banco Mundial para Cabo Verde prevê a concessão de empréstimos no montante global de 82 milhões de euros, a aplicar nos próximos três anos.

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