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ENTREVISTA: Costa do Marfim lamenta atraso na abertura de embaixada de Portugal em Abidjan

Logótipo de O Jogo O Jogo 30/07/2017 Administrator

A Costa do Marfim lamentou hoje o atraso na reabertura da embaixada de Portugal em Abidjan, um ano depois de Lisboa ter acolhido a missão diplomática marfinense, argumentando que o reforço da cooperação bilateral poderia estar mais avançado.

O lamento foi feito à agência Lusa pelo embaixador marfinense em Lisboa, Fana Theodores Kofi, num balanço do primeiro ano das atividades em Portugal da missão diplomática, aberta em junho de 2016, após o acordo assinado em 2015 e que previa também a reinstalação da embaixada portuguesa em Abidjan, encerrada em 2000.

O diplomata marfinense adiantou, porém, que o Governo português está a analisar a abertura da embaixada no país, não avançando, contudo, uma data.

Questionado pela Lusa, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, não indicou qualquer prazo, limitando-se a adiantar que todas as aberturas e encerramentos de embaixadas ou postos consultares serão discutidas quando for debatido, no Parlamento, o Orçamento do Estado para 2018, que terá de o aprovar.

"Com o retomar das ligações aéreas diretas feitas pela TAP (a 17 deste mês), com cinco frequências semanais, há todo um potencial de cooperação já definido a todos os níveis que poderia ser acelerado, uma vez que todos os assuntos a tratar terão de passar pela embaixada de Portugal em Dacar (Senegal)", indicou Kofi.

A TAP retomou os voos diretos para Abidjan 17 anos após os ter encerrado devido à crise político militar que afetou a Costa do Marfim em 2000, o mesmo sucedendo à embaixada portuguesa na capital marfinense, aberta a 22 de novembro de 1989, dois dias antes da única visita oficial de um presidente Português ao país, no caso Mário Soares.

Com a nova ligação aérea, destacou Kofi, o tempo de viagem reduz-se para menos de cinco horas, uma vez que já não é necessário escalar Casablanca e aguardar sete horas por um voo direto para Abidjan.

Independentemente disso, sublinhou Kofi, a Costa do Marfim tem recebido no último ano a visita de vários empresários portugueses, de grandes (Mota Engil ou Teixeira Duarte) e de pequenas e médias empresas - a última foi uma missão empresarial com 52 elementos -, e que a procura tem sido elevada.

Num ano de mandato, reivindicou o diplomata marfinense, já existe um reforço significativo da cooperação nas áreas política, social, educacional, sanitária, turística e da construção, com as portas abertas para todos os setores de investimento, razão pela qual já se dobrou, de 50 para 100, o número de empresas portuguesas no país.

País essencialmente agrícola - é o primeiro produtor mundial de cacau, abacate e caju, e o primeiro africano de banana e ananás, segundo Kofi -, a Costa do Marfim pretende adquirir o conhecimento português para criar localmente valor acrescentado aos seus produtos, através do setor da transformação, destinando-os à exportação.

"Queremos transformar entre 50 a 60% da nossa produção e fomentar as parcerias em que as duas partes saem a ganhar, modelo que é extensível a outras áreas, como no Turismo e na Metalurgia, em que se está a negociar com os estaleiros de Viana do Castelo (norte de Portugal) a construção de uma infraestrutura idêntica na Costa do Marfim", destacou.

Lembrando que a Costa do Marfim é uma plataforma "fundamental" para as sub-regiões da África Ocidental e Central, Kofi realçou também que o país é um grande produtor de matérias-primas como ferro, manganês, bauxite e níquel, pelo que as parcerias nestas áreas serão "muito bem-vindas".

A indústria do mar (economia marítima) é outra das apostas do Governo deste país com cerca de 600 quilómetros de costa atlântica), pelo que a experiência portuguesa neste domínio é "fulcral", havendo já contactos oficiais com a Academia do Mar, com sede em Faro.

Além da Mota Engil e da Teixeira Duarte, Portugal já está presente na Costa do Marfim com as empresas Bial (farmacêutica) Águas em Processo (albufeiras de água potável), Mario (construção) e Mobpro (telecomunicações), bem como com a MCGI-Technologie, filial do grupo português JP.

Atualmente, as trocas comerciais entre Portugal e a Costa do Marfim "são incipientes, face ao potencial existente", enfatizou Kofi.

As principais exportações da Costa do Marfim para Portugal são o café verde, algodão, oleaginosas, cauchu, madeira e cacau e situavam-se em 2013, últimos dados oficiais disponíveis, em cerca de 16,4 milhões de euros. No sentido inverso, Portugal exportou para a Costa do Marfim bebidas, produtos alimentares e farmacêuticos, fibras têxteis e material elétrico no montante de 4,5 milhões de euros.

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