Ao utilizar este serviço e o conteúdo relacionado, concorda com a utilização de cookies para análise, anúncios e conteúdos personalizados.
Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

ENTREVISTA: Economia cabo-verdiana vai crescer 5,5% em 2018 -- Ministro das Finanças

Logótipo de O Jogo O Jogo 20/07/2017 Administrator

O ministro das Finanças de Cabo Verde, Olavo Correia, considera "conservadoras" as previsões de crescimento de 4% dos organismos internacionais e do banco central, mostrando-se convicto que em 2018 a economia do país acelerará para os 5,5%.

"Estamos a crescer à volta de 4% e penso que no próximo ano podemos atingir 5,5%", disse Olavo Correia em entrevista à agência Lusa quando confrontado com a desaceleração da economia para 3,6% no primeiro trimestre de 2017, face aos 3,8% de crescimento registados em 2016.

O ministro assinalou que se tratam de números provisórios e desvalorizou as previsões quer do Fundo Monetário Internacional (FMI), quer do banco central cabo-verdiano (BCV), que estimam um crescimento mais próximo dos 4% este ano e no próximo.

"Os bancos centrais são sempre conservadores e o Fundo Monetário também. No Governo, estamos a pensar que, com os instrumentos que vamos lançar e com o ambiente de negócios que vamos melhorar e a confiança que estamos a gerar na economia, será possível crescer a 5% ou 5,5%, mas para lá chegar é preciso muito trabalho do Estado, da administração pública e do setor privado", disse.

Olavo Correia disse ainda que o prometido crescimento de 7% poderá ser atingido no terceiro ano, mas admitiu que não será atingido esse crescimento médio anual.

"Não se pode partir de estagnação para um crescimento de 7%. Isso em economia não é possível, só com um milagre. Partimos de 1%, já chegamos a 4%, vamos a 5,5% e no terceiro ano chegaremos à taxa que propomos para a economia e a partir daí vamos acelerar", reforçou.

O ministro das Finanças, que há duas semanas vem promovendo audições com representantes de organizações da sociedade civil e internacionais com vista à preparação do Orçamento de Estado para 2018, numa iniciativa que, segundo disse, visa concretizar o conceito de "Estado parceiro" em que os "atores são agentes" e não apenas "objeto das medidas políticas".

"Não significa ceder a tudo, mas perceber as expectativas, analisar as propostas e em função disso poder formatar um orçamento que vá ao encontro das necessidades do país", disse.

Transportes aéreos e marítimos, fiscalidade, financiamento à economia, melhoria do ambiente de negócios e combate à exclusão e assimetrias regionais são, segundo o ministro, as prioridades de um orçamento que será "de rutura" e "respostas claras, a problemas concretos".

Sem avançar dados relativamente ao volume de verbas do orçamento para 2018, Olavo Correia sublinhou a necessidade de aumentar as receitas, assegurando que tal não implica necessariamente o aumento de impostos.

"Estamos a trabalhar para evitar os aumentos de impostos. É preciso aumentar a base tributária e pôr todo o mundo a pagar impostos (..) para termos os recursos necessários para investir na segurança, na educação na saúde e em outros setores relevantes para o futuro", disse.

Neste contexto, revelou que as empresas cabo-verdianas têm tido "uma boa adesão" ao programa voluntário de pagamento de dívidas ao Estado, lançado este ano e que já conseguiu recuperar 10 milhões de euros, o equivalente a 10% do montante global estimado de dívidas.

"É um bom começo. Cabo Verde não pode hoje contar com a ajuda pública que vinha contando no passado, o espaço de endividamento é cada vez menor e para continuarmos a investir, precisamos de receitas. Todos têm que pagar para que cada um pague menos", disse.

A previsão de crescimento de 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB) cabo-verdiano constava já do Orçamento de Estado para 2017, que previa um défice das contas públicas para 3%, tendo como prioridades a segurança pública, a justiça e a promoção do crescimento económico.

Com um montante global de 56 mil milhões de escudos (cerca de 508 milhões de euros), o executivo previa arrecadar receitas de cerca de 50 mil milhões de escudos (cerca de 454 milhões de euros).

No âmbito das audições preparatórias para o Orçamento de 2018, Olavo Correia ouviu representantes dos empresários, dos bancos, dos sindicatos, partidos políticos e organizações da sociedade civil e internacionais, nomeadamente as Nações Unidas, que pediram atenção especial ao combate à pobreza.

AdChoices
AdChoices

Mais de O Jogo

image beaconimage beaconimage beacon