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ENTREVISTA: Geórgia agradece a Portugal apoio na defesa da integridade do país

Logótipo de O Jogo O Jogo 03/10/2017 Administrator

O Presidente da Geórgia, Giorgi Margvelashvili, agradeceu hoje o apoio diplomático de Portugal à soberania e integridade do seu país que, no seu entender, estão ameaçadas pela ocupação dos territórios da Abecásia e Ossétia do Sul por tropas russas.

Portugal é uma "nação amiga, que tem uma visão clara do futuro da Europa, da cooperação e da estabilidade que deve enriquecer os nossos países", disse o chefe de Estado georgiano, em Portugal para uma visita de três dias, em entrevista à agência Lusa.

"Portugal é o país europeu mais ocidental e nós somos o país europeu mais oriental" e "é fascinante ver as afinidades que temos", afirmou o chefe de Estado georgiano, que foi recebido em Lisboa pelo Presidente e primeiro-ministro portugueses.

País observador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Geórgia vê a ligação a Portugal e ao espaço lusófono como uma oportunidade de crescimento económico mútuo.

"O apoio de Portugal e a ligação à CPLP é algo muito importante para nós" porque "abre novos espaços de comércio", explicou o governante, que elogiou o papel "consistente" do plano diplomático das autoridades portuguesas na defesa do seu país, localizado na zona do Cáucaso e sujeito a várias esferas de influência regional.

"Portugal apoia a nossa integração euro-atlântica e a nossa integridade territorial" e "ajuda-nos a ser um ator mais forte e a contribuir para a segurança e estabilidade europeias", explicou o Presidente georgiano.

A Abecásia e a Ossétia do Sul são dois territórios pertencentes formalmente à Geórgia, mas que, de facto, são repúblicas autónomas, com lideranças locais que pretendem a união com Federação Russa.

A independência dos dois territórios, com pouco mais de 300 mil habitantes, é reconhecida por Moscovo, que tem tropas estacionadas na zona desde os anos 1990 para garantir o seu direito à autodeterminação, mas a Geórgia considera que existe uma ocupação ilegal, uma posição que conta com o apoio diplomático da maior parte da comunidade internacional, incluindo Portugal.

"Países como Portugal e a Geórgia têm de estar juntos na defesa da boa vontade e serem a voz certa na defesa do primado da lei" no contexto internacional, defendeu o chefe de Estado georgiano.

Para Margvelashvili, a segurança e a estabilidade dos Estados "não dependem tanto do numero de tropas" que têm como da sua "capacidade de levar avante a voz da razão na discussão internacional na comunidade global".

"Portugal condena a ocupação ilegal na Geórgia, não apenas em nome da justiça e da amizade com o povo georgiano, mas em nome da boa causa de manter a estabilidade mundial", disse, acrescentando: "Se vamos tolerar algumas versões de 'realpolitik', vamos permitir que um grupo possa ser agressivo sobre outro" e "teremos consequências massivas em relação ao resto do mundo".

"A nova era trouxe a oportunidade de globalização cultural, económica e comercial" e "países como a Geórgia e Portugal devem pôr esta globalização ao seu serviço", defendeu.

Por isso, Tbilissi tenta "absorver o máximo de valores europeus", promovendo "governança democrática" e "respeito dos direitos humanos", ao mesmo tempo que procura incrementar as relações económicas.

Em paralelo, Giorgi Margvelashvili destacou a "responsabilidade global" que o seu país tenta ter na cena internacional, pelo que, apesar da reduzida dimensão (3,5 milhões de habitantes), tem colocado tropas em várias missões internacionais de paz, como o Kosovo, Iraque ou República Centro-Africana.

"Mesmo sendo pequenos, conseguimos desempenhar um papel muito envolvido num processo global", disse o chefe de Estado, filósofo de formação académica, que se apresenta um entusiasta da globalização: "através destas comunicações abertas temos a oportunidade de não perdemos identidade e de nos tornarmos atores em eventos globais".

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