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Espanha/Ataques: Em Marrocos, familiares de suspeitos não se aperceberam de nada

Logótipo de O Jogo O Jogo 19/08/2017 Administrator

Na aldeia sem história de Melouiya, em Marrocos, o pai de Driss e Moussa Oukabir diz-se "devastado" com o anúncio do envolvimento dos filhos nos atentados em Espanha, comentando que "eles não mostraram qualquer sinal de radicalização".

Moussa, de 17 anos, foi abatido a tiro pela polícia e o irmão Driss, de 27 anos, foi detido após os ataques perpetrados em Barcelona e Cambrils que fizeram 14 mortos e 135 feridos e foram reivindicados pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI).

Inicialmente destinada a acolher uma cerimónia de casamento, uma tenda tradicional montada numa paisagem rochosa, a alguns metros da rudimentar casa de pedra e terra dos Oukabir, acaba por ver desfilar os visitantes que vieram apresentar condolências.

"A alegria deu lugar à tristeza e à dor", comenta Abderrahim, de 40 anos, tio dos irmãos Oukabir, junto do pai deles, Saïd, que recentemente se divorciou da mãe dos rapazes.

"Estamos em choque, completamente devastados", acrescenta, com os olhos rasos de lágrimas, Saïd Oukabir, rodeado de familiares, vizinhos e amigos.

"Eles não mostraram qualquer sinal de radicalização. Viviam como os jovens da sua idade, vestiam-se como eles", prossegue o pai, em declarações à agência noticiosa francesa AFP.

"Moussa era um rapaz gentil que não fazia mal a ninguém. Estava a fazer os seus estudos normalmente e devia terminar o ensino secundário no próximo ano. Nos últimos tempos, começou a rezar, mas foi só isso. Ele era jovem, ainda não tinha maturidade, e deixou-se, sem dúvida, manipular", lamenta.

Em seguida, conta que a polícia espanhola telefonou na sexta-feira à sua ex-mulher "que está em Espanha, para lhe dizer que Moussa estava morto".

O rapaz foi abatido a tiro pela polícia catalã na madrugada de sexta-feira, juntamente com outros atacantes da mesma célula 'jihadista', depois de o veículo em que seguiam ter subido o passeio da marginal de Cambrils e atropelado várias pessoas até embater numa viatura policial.

O seu irmão Driss, de 27 anos, foi detido na quinta-feira, juntamente com mais três pessoas em Ripoll, a norte de Barcelona.

De entre os restantes suspeitos, detidos ou mortos, alguns são originários de aldeias vizinhas de Melouiya, no Médio Atlas, centro de Marrocos, indica, a coberto do anonimato, um membro da família.

"Eles eram todos jovens e encontraram-se em Ripoll, ninguém se apercebeu do que ia acontecer", observou.

Numa sala ao lado, mulheres da aldeia, envoltas em Tamlheft, traje tradicional berbere, choram a morte de Moussa.

"Nós somos pessoas simples, pacifistas. Não conhecemos nem o radicalismo, nem o terrorismo", murmura um habitante desta região acidentada e maioritariamente berbere situada no centro do reino.

A economia regional assente sobretudo na agricultura e na pecuária, bem como na transferência de dinheiro dos marroquinos originários dali mas instalados na Europa, principalmente em França, Espanha e Itália.

Saïd Oubakir, também pai de três raparigas, partiu ele mesmo nos anos 1990 para tentar a sorte na Catalunha.

O filho Driss, que passou a infância em Aghbala, uma localidade rural a oito quilómetros de Melouiya, tinha então dez anos, ao passo que Moussa nasceu em Ripoll, vivendo desde então a família entre Melouiya, Aghbala e o país de acolhimento, Espanha.

Um dos primos dos rapazes diz que Moussa era "estudioso, nunca repetiu um ano, adorava jogar futebol, divertir-se, meter-se com as raparigas".

"Ele vinha cá só uma vez por ano, para passar as férias de verão. Este ano, estava previsto chegar a 15 de agosto", comenta.

Mas, segundo o mesmo primo, "nos últimos meses, ele começou a interessar-se por religião. Frequentava uma mesquita em Ripoll. Foi talvez ali que foi submetido a uma lavagem cerebral".

Driss, por sua vez, "deixou cedo a escola para ir trabalhar honestamente e ganhar a vida", conta o pai, que foi hoje convocado pela polícia marroquina de Khenifra, uma cidade do Médio Atlas.

"Agora, ele está nas mãos de Deus e da polícia, está a ser alvo de uma investigação. Espero que digam que ele é inocente. Não quero perder os meus dois filhos", diz Saïd Oukabir.

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