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Espanha coloca em liberdade condicional escritor turco-alemão

Logótipo de O Jogo O Jogo 20/08/2017 Administrator

Um tribunal espanhol concedeu hoje liberdade condicional ao escritor turco-alemão Dogan Akhanli, detido no sábado em Espanha a pedido de Ancara, anunciou na rede social Facebook o seu advogado, Ilias Uyar.

"A batalha valeu a pena", escreveu o advogado, precisando que o escritor "foi libertado na condição de ficar em Madrid" enquanto se espera que as autoridades turcas peçam formalmente a sua extradição.

Detido no sábado de manhã, em cumprimento de um mandado de captura internacional emitido a pedido das autoridades turcas, num hotel do centro da cidade de Granada onde se encontrava hospedado, Dogan Akhanli vive há 25 anos na Alemanha e é um conhecido ativista dos direitos e liberdades fundamentais na Turquia, onde já esteve preso e foi julgado por acusações fictícias.

Nascido em 1957 na Turquia e residente desde 1992 em Colónia, oeste da Alemanha, Akhanli escreveu, entre outras obras, uma trilogia sobre o genocídio arménio.

No sábado, o ministério dos Negócios Estrangeiros alemão instou Madrid a não extraditar o romancista para a Turquia.

O pedido foi transmitido pela embaixada da Alemanha "ao mais alto nível diplomático" às autoridades espanholas, indicou o ministério dos Negócios Estrangeiros em Berlim.

A detenção do escritor de 60 anos, apresentado como um crítico de Ancara, foi inicialmente anunciada por um deputado dos Verdes alemães, Volker Beck, que considerou que tal demonstra que o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, está a tentar "estender o seu poder além das fronteiras do seu país, intimidar as vozes críticas e persegui-las no mundo inteiro".

O seu historial de perseguição pelas autoridades turcas é longo e público: Absolvido em 2010 por um tribunal de Istambul das acusações de pertença a uma organização política subversiva e participação num assalto à mão armada e num homicídio formuladas em 1989, o tribunal de recursos de Ancara reuniu-se em 2013 para reverter o veredicto e reabrir o caso, chamando o tribunal de Istambul a confirmar a sua decisão ou alterá-la.

O juiz adiou diversas vezes uma decisão sobre o caso, mas emitiu um mandado de captura internacional para Dogan Akhanli, um cidadão alemão, protegido pela lei alemã -- uma medida cujo único propósito foi mantê-lo afastado do seu país natal.

O escritor comentou na altura ter sido essa a sua experiência quando, em agosto de 2010, viajou para a Turquia, na esperança de conseguir visitar o pai moribundo: foi detido no aeroporto, metido na prisão, ali mantido durante meses e impedido de ir ao funeral do pai.

As relações entre a Turquia e a Alemanha estão particularmente tensas desde o golpe de Estado falhado de 15 de julho de 2016, imputado ao clérigo Fethullah Gülen, que nega qualquer envolvimento.

Existem atualmente dez cidadãos alemães, alguns dos quais com dupla nacionalidade, presos na Turquia, segundo as autoridades alemães.

Entre eles, está Denuz Yücel, um jornalista turco-germânico, correspondente do diário alemão Die Welt, encarcerado desde fevereiro.

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