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Estado da Nação: É preciso mais investimento para crescimento ser duradouro - João Loureiro

Logótipo de O Jogo O Jogo 10/07/2017 Administrator

O economista João Loureiro diz ainda não estar convencido com a duração dos ritmos de crescimento económico, afirmando que eram necessárias subidas mais acentuadas do investimento para se afirmar que a melhoria é estrutural.

"Para haver crescimento relativamente ao qual eu posso ficar convencido de que é estrutural, que é um crescimento duradouro, seria necessário estarmos a observar ritmos de crescimento do investimento muito mais acentuados", afirma o professor da Faculdade da Economia da Universidade do Porto, numa entrevista à agência Lusa a propósito do debate do estado da Nação, na quarta-feira, no parlamento.

O economista admite que "hoje há indicadores que estão muito melhor agora do que estavam há algum tempo", mas afirma que a "economia ainda não está bem".

"Continuamos dependentes, é certo, de nós próprios, e daquilo que fazemos internamente, mas continuamos extremamente expostos ao que nos é exógeno", observa João Loureiro, dando o exemplo da política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que está a "minorar" os encargos do Estado português com a dívida pública.

No entanto, "se há aqui uma alteração da política monetária por parte do BCE podemos ter um problema", afirma. "Em vários aspetos estamos melhor, mas não recuperámos integralmente e temos de continuar a ter muitos cuidados de maneira a que, mais uma vez, não venhamos a ter algum problema", adverte.

Nesse sentido, João Loureiro defende que o Governo "deve manter uma política de disciplina orçamental.

O economista opõe-se a que reestruturação da dívida parta do Governo: "Eu acho que esse não deve ser um tema da iniciativa das autoridades portuguesas, nunca. Não quer dizer que, se vier a haver alguma iniciativa no futuro para o conjunto da União Europeia, as autoridades portuguesas não participem".

Já sobre os problemas recentes nos serviços públicos, João Loureiro entende que não têm a ver com uma redução do montante gasto, mas sim com a forma como o dinheiro é aplicado, exigindo mais eficiência.

"Eu acho que, em muitos casos na Administração Pública, não é uma questão de quanto dinheiro lá está, se calhar a quantidade que está até é adequada, é o que se faz com esse dinheiro", afirmou o professor da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP).

O economista criticou que, "só agora", com o incêndio em Pedrógão Grande, que matou 64 pessoas e feriu cerca de 250, se tenha começado "a falar com alguma profundidade e de como e que podemos prevenir a existência deste tipo de situações". E isso aplica-se a "muitos campos", apontou.

"Haja vontade de resolver os problemas porque, em muitos casos, não passa por ter dinheiro para os resolver. Não é uma questão de dinheiro", sublinhou.

Na semana passada, a Conta Geral do Estado de 2016 divulgou que a despesa que não foi descativada (ou seja, que não foi autorizada, apesar de estar prevista) no ano passado ascendeu a 942,7 milhões de euros, o que levou a oposição a associar essas cativações a uma rutura nos serviços públicos, sobretudo na Proteção Civil e nas Forças Armadas, tendo em conta o incêndio em Pedrógão Grande e o assalto de material de guerra em Tancos.

"Não creio", respondeu João Loureiro, quando questionado sobre se a redução do défice em 2016 foi feita à custa do funcionamento desses serviços públicos.

"É mais uma questão de uma aplicação eficaz e eficiente dos dinheiros públicos. Eu acho que com o que se gasta em muitos campos é possível ser-se muito mais eficiente e eficaz, isto é, conseguimos alcançar com o mesmo dinheiro muito mais resultados", salientou.

O professor da FEP deu o exemplo da justiça, uma área onde o mau funcionamento, do seu ponto de vista, "não tem a ver com o dinheiro" atribuído, "mas com a organização do sistema".

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