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Evento anóxico marinho no Jurássico de Peniche durou um milhão de anos -- estudo

Logótipo de O Jogo O Jogo 13/07/2017 Administrator

Um novo estudo internacional revela que o fenómeno de anoxia marinha e de perturbação do ciclo de dióxido de carbono, no Toarciano (Jurássico Inferior), terá durado cerca de um milhão de anos, foi hoje anunciado.

Publicada na revista científica Nature Communications, o estudo foi desenvolvido nas arribas calcárias da península de Peniche, que são uma "referência internacional no que respeita ao estudo do Jurássico Inferior", e no furo de sondagem Mochras, no País de Gales, revela a Universidade de Coimbra (UC), numa nota enviada hoje à agência Lusa.

A investigação sobre o fenómeno, "ocorrido há cerca de 182 milhões de anos" e que "provocou uma importante extinção marinha à escala global", contou com a participação de Luís Vítor Duarte, docente e investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC.

Liderada pela Universidade de Exeter (Reino Unido), a investigação, "assente no estudo de fragmentos orgânicos de origem continental contidos ao longo da sucessão carbonatada marinha", demonstra que houve "um aumento significativo de materiais carbonosos com indícios de terem sido queimados por incêndios naturais (carvão vegetal), numa posição temporal contemporânea" nos dois locais que foram objeto da pesquisa.

Esses incêndios, "à semelhança da atualidade", só podem ser explicados através da "disponibilidade em oxigénio, sendo essa a prova do final do evento anóxico", sublinha a UC.

Os resultados do estudo mostram que se "está perante um fenómeno de causa/efeito", sustenta Luís Vítor Duarte.

"Devido ao aumento da concentração de CO2, cuja origem tem sido largamente debatida, os fundos dos oceanos terão ficado pobres em oxigénio e a atmosfera, pela amplificação do efeito de estufa, terá aquecido substancialmente, associando-se a toda esta conjugação de fatores, a extinção de alguns grupos de invertebrados", explica o investigador, citado pela UC.

"Com o aumento da concentração do chamado carvão vegetal (charcoal), em sedimentos cerca de um milhão de anos mais recentes do que o início do referido episódio de anoxia, demonstra-se o 'timing' do restabelecimento das condições de oxigenação dos ambientes marinhos e continentais, bem como a recuperação da biosfera", acrescenta Luís Vítor Duarte.

Este estudo "decorre de uma série de outros trabalhos que têm sido realizados em Peniche, publicados em várias revistas da especialidade, e que colocam este local como um dos mais importantes no reconhecimento deste evento à escala global", salienta ainda o docente da Faculdade de Ciências de Coimbra e investigador do MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da UC).

Esta nova descoberta "contribui para a compreensão das interações entre os diversos sistemas terrestres", advoga Luís Vítor Duarte, sublinhando "a importância que esta temática tem no mundo atual, com as visíveis e sentidas alterações climáticas".

"Os resultados deste estudo ajudam a perceber o funcionamento dos ciclos biogeoquímicos, bem como os possíveis efeitos das mudanças rápidas nas emissões de carbono", conclui.

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