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Exército do Ruanda acusado de recorrer à tortura para obter confissões - HRW

Logótipo de O Jogo O Jogo 10/10/2017 Administrator

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) acusou o exército do Ruanda de recorrer à tortura para conseguir confissões de suspeitos detidos ilegalmente, num relatório divulgado hoje.

No relatório "Obrigar-te-emos a confessar: tortura e detenção militar ilegal no Ruanda", a HRW afirma ter documentado 104 casos de pessoas detidas ilegalmente e, na maioria, vítimas de atos de tortura -- bastonadas, choques elétricos, simulações de execução -- em centros de detenção do exército ruandês entre 2010 e 2016.

"Investigações realizadas durante um certo número de anos demonstram que os responsáveis militares no Ruanda podem recorrer à tortura a seu critério", declarou Ida Sawyer, diretora para a África Central da Human Rights Watch.

"A impunidade pela detenção ilegal e a utilização sistemática da tortura leva numerosas vítimas a abandonarem qualquer esperança de justiça", adiantou.

Segundo a HRW, a maioria das vítimas foram detidas por alegadamente pertencerem às Forças Democráticas para a Libertação do Ruanda, rebeldes hutus ruandeses que se instalaram no leste da República Democrática do Congo. Alguns dos seus membros fundadores são acusados de terem participado no genocídio de 1994.

Outras vítimas são suspeitas pelas autoridades de terem ligações com o Congresso Nacional Ruandês, um grupo da oposição no exílio composto sobretudo por antigos membros do partido no poder, ou de apoiarem Victoire Ingabire, presidente detido do partido -- não reconhecido pelas autoridades -- das Forças Democráticas Unificadas.

A HRW exige às autoridades do Ruanda e às Nações Unidas que investiguem os casos.

O Governo do Ruanda, dirigido desde 2000 pelo antigo líder guerrilheiro Paul Kagame, negou a existência de campos militares de detenção ilegal.

Hoje, o Governo devia falar em Kigali sobre as conclusões de um anterior relatório da HRW, mas a conferência de imprensa foi anulada à última hora.

Nesse relatório, divulgado a 29 de setembro, a HRW acusava as forças de segurança de detenções, desaparecimentos forçados e ameaças a políticos da oposição, após a reeleição a 4 de agosto para um terceiro mandato do Presidente Kagame, com mais de 99% dos votos.

Elogiado pela transformação económica do país, Kagame é regularmente criticado por organizações de direitos humanos por limitar as liberdades civis e silenciar a oposição.

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