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Ex-ministra acusa Governo de "incoerência" por não recapitalizar Novo Banco de Cabo Verde

Logótipo de O Jogo O Jogo 31/07/2017 Administrator

A ex-ministra das Finanças cabo-verdiana, Cristina Duarte, acusou hoje o atual Governo do país de "incoerência" por não ter recapitalizado, no ano passado, o Novo Banco de Cabo Verde, já extinto após resolução, em março, do Banco Central.

A ex-ministra das Finanças do anterior Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) fez a acusação durante a audição parlamentar de inquérito sobre o Novo Banco de Cabo Verde.

O Banco de Cabo Verde (BCV) anunciou, em março, a resolução e transferência para a Caixa Económica de Cabo Verde (CECV) de parte da atividade do Novo Banco, uma instituição de capitais quase exclusivamente públicos, vocacionado para a economia social e o microcrédito.

Desvios no modelo de negócio, com a entrada em concorrência direta com a banca comercial, e incapacidade da instituição de cumprir os rácios prudenciais exigidos, mesmo após três recapitalizações, ditaram a resolução.

A resolução do Novo Banco, criado durante os governos do PAICV, representou um prejuízo de cerca de 16,3 milhões de euros para o Estado cabo-verdiano e está a ser investigada pelo Ministério Público, além da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Na audição, a ex-ministra das Finanças lembrou que saiu do Governo em abril do ano passado, um mês após os acionistas terem apresentado um plano de recuperação exigido pelo Banco Central, numa altura em que já tinha apresentado uma melhoria no desempenho de 40%.

Cristina Duarte disse que foi aprovado um aumento de capital em 500 milhões de escudos (4.5 milhões de euros), mas afirmou que "não fazia sentido" o então Governo do PAICV fazer a capitalização, uma vez que já se encontrava em gestão e até sair não recebeu qualquer 'feedback' do Banco Central sobre o plano de recuperação.

Cristina Duarte considerou que o atual Governo "falhou" ao nível da perspetiva de médio e longo prazo, por não ter aumentado o capital do banco e evitar o seu fim.

"Se continuasse no Governo teria de ser coerente com aquela decisão do acionista Estado. A sensação que tenho é que o atual Governo pegou no bebé e na água do banho e jogou tudo pela janela fora", considerou a ex-governante.

Na audição, que durou mais de três horas, a ex-ministra lembrou que o Novo Banco foi criado para responder ao desafio da "exclusão financeira" em Cabo Verde, país com um mercado bancário com uma "arquitetura incompleta" e que ainda apresenta oportunidades de negócio.

A ex-ministra considerou ainda que o banco nunca se desviou do seu objeto social e que não iria fazer concorrência direta com a banca comercial, justificando que tal nunca foi levantado pelo banco central, na qualidade de regulador e supervisor.

Além da ex-ministra, no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito têm estado a ser ouvidas, desde o início do mês, várias personalidades ligadas à criação e gestão do Novo Banco e à supervisão bancária.

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