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Ex-ministro moçambicano publica testemunho sobre a Casa dos Estudantes do Império

Logótipo de O Jogo O Jogo 23/07/2017 Administrator

A "Casa dos Estudantes do império" (CEI), em Lisboa, que recebeu os alunos universitários vindos das ex-colónias portuguesas, foi um "alforge do nacionalismo africano" e alvo da repressão política, antes da Revolução de 1974.

As afirmações são do médico moçambicano Fernando Vaz, que residiu na CEI, em Lisboa, no prefácio da obra "Casa dos Estudantes do Império. Subsídios para a História do seu período mais decisivo (1953 a 1961)", de Helder Martins, moçambicano e médico, que foi ministro da Saúde do primeiro Governo da República de Moçambique, presidida por Samora Machel.

Na introdução, o autor afirma que procurou, nesta obra, "testemunhar" sobre aquele que aponta como "o mais importante e mais decisivo" período da CEI, que, além de Lisboa, tinha delegações em Coimbra e no Porto.

"Testemunha", porque como afirma, o viveu "intensamente" e teve "participação ativa".

Da mesma opinião é o seu camarada Fernando Vaz, referindo que o período de 1953 a 1961 foi "o mais decisivo" e o "mais crítico" da CEI, e que é neste livro "fiel e ricamente retratado".

"Trabalhámos juntos para reabertura da CEI, entre 1955 e 1957, que, como podem apreciar neste livro, foi complicada, com imensos episódios, uns agradáveis e outros menos agradáveis, muito bem documentados, com grande rigor", afirma Fernando Vaz.

O prefaciador realça que Hélder Martins "recolheu contribuições de muitos colegas contemporâneos, pesquisou exaustivamente tudo o que se escreveu sobre a CEI, o que permitiu grande rigor histórico em todas as descrições que faz e, sobretudo, nas datas dos principais acontecimentos".

O médico realça ainda no prefácio que, na década de 1960, "com a vinda para Portugal de muitos estudantes das colónias", a CEI adquiriu "uma enorme dimensão política", quer pela pressão internacional a favor da descolonização, quer pelo surgimento dos denominados movimentos de libertação (MPLA, PAIGC e FRELIMO).

Helder Martins sublinha que apenas se refere nesta obra à sede da CEI, em Lisboa, pois foi ali que viveu, e apenas até 21 de outubro de 1961, data em que saiu.

"Contudo não poderei ignorar nem deixar de me referir a alguns antecedentes" e à situação que encontrou quando entrou para a CEI, em 1953.

Do ponto de vista metodológico, adverte o autor que não é historiador, e que este livro "é sobretudo um testemunho na primeira pessoa do singular, baseado" nas memórias que viveu e daquilo em que participou, reconhecendo que, por tudo se ter passado há mais de 50 anos, utilizou "as técnicas clássicas e habituais que os historiadores usam para ativar essa memória", tendo recorrido "a todos os documentos que foi possível encontrar" e refere: "Bem como confrontei as minhas memórias com as dos outros que comigo participaram nesse período decisivo da vida da CEI", tendo feito "uma intensa pesquisa bibliográfica".

A obra "Casa dos Estudantes do Império", além do prefácio e das considerações prévias, do autor divide-se em seis partes: "Antecedentes: a criação da CEU e a primeira comissão administrativa", "A luta para a restauração da legalidade democrática na CEI", "A gestão democrática da casa até à segunda comissão administrativa", "A Casa como centro e conhecimento mútuo entre os estudantes", "A Casa como escola do nacionalismo africano e da consciência anticolonial" e "Influência da Casa nas lutas de libertação nacional das diversas ex-colónias"

O livro inclui algumas fotografias, como uma do médico angolano Agostinho Neto, que foi o primeiro Presidente da República Popular de Angola, a visitar a prisão do Aljube, em Lisboa, e uma extensa bibliografia.

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