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Exposição nazi de "arte degenerada" reuniu mestres como Chagall e faz 80 anos

Logótipo de O Jogo O Jogo 18/07/2017 Administrator

A inauguração da exposição "Arte Degenerada", organizada pelos nazis como parte de uma estratégia contra a arte moderna, com peças de Chagall, Kandinsky ou Paul Klee, faz quarta-feira 80 anos, sem que as obras tenham sido esquecidas.

Um dos quadros expostos na mostra, "Três banhistas", do expressionista Ernst Ludwig Kirchner, voltou agora à Alemanha, cedido pelo museu de Sydney para uma exposição comemorativa, em Düsseldorf.

As obras da chamada "Arte Degenerada", na Alemanha de Hitler, vistas pelos nazis como exemplo de decadência, constituem hoje clássicos da modernidade.

A exposição, inaugurada a 19 de julho de 1937, no Instituto de Arqueologia de Munique, incluía trabalhos de artistas como Marc Chagall, Wassily Kandinsky, Paul Klee, Ernst Ludwig Kirchner e Emil Nolde.

As obras daquela a que os nazis chamaram "Arte degenerada" estavam amontoadas, com alguns quadros mal colocados de forma provavelmente deliberada e comentários sarcásticos e depreciativos escritos nas paredes.

Ao lado das pinturas e esculturas colocaram-se fotografias de doentes mentais e de pessoas com deformações físicas.

"Vemos à nossa volta os engenhos da loucura, do descaramento, da incompetência e da degeneração", afirmou na altura o pintor Adolf Ziegler, senador da câmara de belas artes controlada pelos nazis.

A exposição reunia cerca de 600 obras e, depois de ser exibida em Munique, até 30 de novembro de 1937, passou ainda por várias cidades alemãs.

Foi também aberta, numa tentativa de servir de contraste, a "Grande exposição de arte alemã", num edifício neoclássico construído para o propósito, e que reunia obras de artistas favoráveis ao regime, com o género de estética louvada pelos nazis.

A exposição da "Arte Degenerada", em Munique, foi o começo de uma ação em que foram retiradas cerca de 20 mil obras de 140 artistas de uma centena de museus e galerias alemãs.

Algumas das obras foram vendidas no estrangeiro ou trocadas por arte mais apropriada aos padrões nazis, enquanto as restantes foram simplesmente descartadas.

Assim, em março de 1939, queimaram-se em Berlim 1004 quadros e 3825 gravuras de artistas que definiram a modernidade a quem os nazis chamaram "arte degenerada".

A cruzada era dirigida contra todos os movimentos da arte moderna, incluindo o cubismo, o dadaísmo e até o expressionismo, acerca do qual os nazis não estiveram sempre de acordo.

O ministro da propaganda nazi, Joseph Goebbels, via inicialmente o expressionismo como um movimento que dava prestígio à cultura alemã, e interpretava-o como uma corrente tipicamente nórdica que anunciava renovação.

Contra esta posição estava o ideológico nazi Alfred Rosenberg, que via o expressionismo e todas as vanguardas artísticas como uma manifestação daquilo a que chamava "bolchevismo cultural".

Só a partir de 1937 é que Goebbels adotou a posição defendida por Rosenberg, numa viragem que correspondeu com a rutura experienciada em vários campos da política da Alemanha nazi, depois dos Jogos Olímpicos de Berlim de 1936, período no qual o regime sofreu uma clara radicalização.

A mudança trouxe consequências imediatas para artistas como Emild Nolde, que passou de ver as suas obras colecionadas por alguns nazis a artista proibido sob o qual caia, até, uma proibição de pintar.

Muitas das obras acabaram desaparecidas ou perdidas depois da II Guerra Mundial, enquanto outras se encontravam distribuídas pelo mundo depois de terem sido vendidas por galeristas por iniciativa do próprio líder nazi, Hermann Göring.

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