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Fectrans alerta em Vilar Formoso para condições de trabalho dos motoristas

Logótipo de O Jogo O Jogo 18/10/2017 Administrator

A Federação de Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) defendeu hoje, em Vilar Formoso, a melhoria das condições de trabalho dos motoristas de transportes internacionais, durante uma ação que contou com a participação de sindicalistas espanhóis.

Durante a ação de sensibilização sobre o tema dos tempos de trabalho e de descanso, denominada "A Fadiga Mata", a Fectrans defendeu melhores condições salariais para os motoristas, dado que, segundo o dirigente José Manuel Oliveira, os pagamentos "ao quilómetro" e "à tonelagem" não são contabilizados para efeitos de remuneração.

"São pagos como ajudas de custo e isso reflete-se negativamente quando o trabalhador adoece ou se reforma", disse o responsável à agência Lusa.

O dirigente referiu que esta é "uma das batalhas" do momento, daí que a Fectrans procure "fazer subir o valor das remunerações" e também que a legislação em termos de tempos de condução e de repouso dos motoristas seja cumprida.

Disse que a desvalorização dos salários faz com que "muitos trabalhadores aceitem ritmos de trabalho exagerados ou trabalhos pagos de forma ilegal como, nomeadamente ao quilómetro, à tonelagem, e outras formas de pagamento, que, não estando previstas na lei, são utilizadas por muitos dos patrões deste setor para, a partir de baixos salários, imporem ritmos de trabalho".

"O pagamento ao quilómetro faz com que o trabalhador percorra mais quilómetros e quantos mais quilómetros percorrer mais recebe e, muitas vezes, para que isso aconteça, são postos em causa os tempos de repouso que são essenciais nesta profissão para a salvaguarda do transporte em si, mas acima de tudo da saúde e da segurança do trabalhador", apontou.

Durante a ação realizada na fronteira de Vilar Formoso, no concelho de Almeida, distrito da Guarda, os sindicalistas nacionais e espanhóis apelaram aos motoristas para que cumpram os tempos de descanso, porque "se essa regulamentação não for cumprida, é a sua própria vida que está em causa", disse José Manuel Oliveira.

"Também falámos de outros problemas, nomeadamente o processo de negociação coletiva que está em curso com a associação patronal portuguesa", relatou.

Segundo o dirigente da Fectrans, a intervenção hoje realizada, que juntou cerca de 400 dirigentes e delegados sindicais de ambos os países, também permitiu contactar individualmente com os trabalhadores e abordar "os problemas que cada um tem na sua empresa".

Neste momento, a Fectrans está a discutir, com a associação patronal, um novo contrato para o setor, tendo também recolhido opiniões dos interessados para colocar na "mesa das negociações".

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