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Fundador do principal partido da oposição são-tomense lamenta divisão interna

Logótipo de O Jogo O Jogo 26/10/2017 Administrator

São Tomé 26 out (Lusa) - O fundador e primeiro presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP - PSD), Manuel Pinto da Costa, lamentou hoje que a crise interna nesta força política limite a sua capacidade de debater os assuntos do país.

"Se não estamos disponíveis e abertos para debater assuntos entre nós, muito menos estaremos preparados para debater com a sociedade e outras forças politicas os assuntos do país", disse Pinto da Costa, na abertura dos trabalhos da "reunião alargada de reflexão" para analisar a situação interna da principal força da oposição são-tomense e o partido que mais tempo liderou o país.

Com um auditório repleto de militantes, amigos, simpatizantes e dirigentes, Pinto da Costa criticou o atual presidente do partido, Aurélio Martins que não se fez presente no evento.

"Infelizmente a sua ausência demonstra que precisamos persistir neste esforço de diálogo", disse, prometendo "continuar a trabalhar junto de todos, para que todos nos unamos para o bem do MLSTP e do país".

Pinto da Costa considerou a reunião de reflexão como "um importante contributo para o processo de revitalização do MLSTP-PSD e uma importante plataforma para gerar consensos sobre os problemas e as soluções que o partido precisa para reforçar a sua unidade e sua capacidade de intervenção na transformação da sociedade são-tomense".

O discurso do ex-chefe de estado são-tomense está a ser interpretado como um regresso a política ativa, quando falta menos de um ano para as eleições legislativas e autárquicas previstas para 2018.

Pinto da Costa entende que o partido que fundou e de que foi presidente desde a luta de libertação do arquipélago não pode continuar nesse clima de divisão interna persistente que nada tem a ver com "a marca registada" que sempre foi de união e de consenso.

Lembrou a conferência nacional de 1989 "recebida com desconfiança e reticencias tanto interna como externa" que se traduziu num confronto aberto de ideias entre conservadores e renovadores, mas cujo "resultado final foi um incontestável contributo para a transformação do país", que se abriu para o multipartidarismo.

"É este o património que fomos construindo, desbaratar essa herança, maltratar e deixar perder o que os outros nos deixaram é mais que renunciar a uma memória, a uma identidade, é quebrar uma cadeia que nos precede, é quebrar o elo entre o passado e o presente", lamentou Pinto da Costa.

Nesta reunião alargada de reflexão, convocada pelo 'Grupo para Revitalizar o MLSTP-PSD' o antecessor do atual presidente Evaristo Carvalho teceu igualmente críticas contra o atual governo do primeiro-ministro partisse Trovoada.

"Hoje, São Tomé e Príncipe está perante uma situação que impõe uma escolha clara: ou seguimos o caminho do oportunismo demagógico, mascarado de modernismo populista e predador ou acolhemos o caminho do trabalho árduo de conquistas diárias e coletivas, erguendo o nosso país com o esforço de todos para o benefício de todos, com a inclusão de todos", sublinhou Manuel Pinto da Costa.

No seu discurso de cerca de 15 minutos Pinto insistiu na necessidade de que os sociais-democratas devem "refletir em conjunto, debater até a exaustão, enfrentar críticas e chegar a consensos dinâmicos que abrem caminho para uma ação transformadora",

Elsa Pinto presidente da mesa do encontro acusou a atual direção de "inabilidade política" para reestruturar as bases e movimentar os militantes "para condução dos destinos do partido num clima de unidade e coesão necessárias para o seu fortalecimento".

O responsável disse que a atual direção tem défice de "capacidade organizacional" para credibilizar interna e externamente o partido e não tem uma "agenda política clara e uma estratégia eleitoral perante a premência dos grandes embates a serem desencadeados".

Sublinhou que o partido tem que "muito rapidamente esquematizar o seu plano de ação para saber o que deve fazer com urgência para dinamizar a sua ação no terreno tendo em perspetiva os atos eleitorais que se avizinham".

Os trabalhos desta reunião deveráo terminar ainda hoje com conclusões e recomendações.

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