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Governo diz que não há partidos no Parlamento português com discurso xenófobo e racista ATUALIZADA

Logótipo de O Jogo O Jogo 07/09/2017 Administrator

O ministro-Adjunto, o socialista Eduardo Cabrita, declarou hoje perante parlamentares do Conselho da Europa que nenhum partido representado no parlamento português tem discursos xenófobos e racistas, em contraponto com acusações nesse sentido feitas pelo PS ao PSD. "Tenho um grande orgulho em poder dizer que, relativamente a estes temas - acolhimento de migrantes, de refugiados, integração na vida cívica portuguesa de cidadãos originários de outros ...

O ministro-Adjunto, o socialista Eduardo Cabrita, declarou hoje perante parlamentares do Conselho da Europa que nenhum partido representado no parlamento português tem discursos xenófobos e racistas, em contraponto com acusações nesse sentido feitas pelo PS ao PSD.

"Tenho um grande orgulho em poder dizer que, relativamente a estes temas - acolhimento de migrantes, de refugiados, integração na vida cívica portuguesa de cidadãos originários de outros países - não existe no parlamento português nenhuma força política que assuma um discurso xenófobo, racista, como infelizmente tem sucedido em tantos países europeus", disse o ministro.

O ministro adjunto introduziu o tema referindo que "o debate político em democracia é marcado por uma dialética conflitual normal, que é própria da vida democrática, entre o Governo e os partidos que apoiam o Governo e os partidos da oposição".

Eduardo Cabrita falava perante parlamentares do Conselho Europeu, no decorrer da conferência de apresentação da Rede Parlamentar sobre Políticas da Diáspora, que decorre até sexta-feira na Assembleia da República, em Lisboa.

As declarações do ministro adjunto surgem um dia depois de o PSD ter exigido aos partidos da esquerda que retirassem uma acusação de xenofobia e racismo que fez ao partido social-democrata e ao seu líder, Pedro Passos Coelho, pelas críticas às alterações à lei dos estrangeiros.

A 14 de agosto o porta-voz do PS, João Galamba, acusou o presidente do PSD de ensaiar "um discurso racista e xenófobo", considerando que Pedro Passos Coelho fez uma "denúncia mentirosa" de alterações à lei da imigração que transpõem uma diretiva comunitária.

"Pela primeira vez em muitos anos tivemos em Portugal um líder político e o líder político do maior partido da oposição, a ensaiar um discurso racista e xenófobo, à semelhança do que vemos noutros países, em França, nos Estados Unidos", defendeu João Galamba aos jornalistas no parlamento.

Hoje, frente aos parlamentares do Conselho da Europa, Eduardo Cabrita disse que Portugal quer "ser uma referência no quadro global" no que diz respeito ao acolhimento de migrantes e refugiados e que este tema "não é uma área de fratura" entre os partidos.

""Existirão certamente muitos outros temas para divergirmos. Existirão dúvidas pontuais sobre esta ou aquela medida política, mas sobre aquilo que é essencial, esta é uma matéria que (?) não é uma área de fratura no debate político português", realçou.

Questionado pela Lusa, à saída da sessão com os parlamentares do Conselho da Europa, sobre se a sua posição pretende "matizar" as declarações do deputado João Galamba, Eduardo Cabrita começou por dizer que esta matéria do acolhimento de migrantes e de refugiados "não é uma matéria de fratura na sociedade portuguesa".

No entanto, insitiu depois que as suas declarações sobre ausência de discursos xenófobos e racistas cingem-se apenas ao parlamento. O discurso de Pedro Passos Coelho considerado "xenófobo" e "racista" pelo PS foi proferido na festa de rentreé politica do PSD, no Pontal.

"O que eu disse foi que, tendo eu esta área de responsabilidade no Governo, até hoje nunca - no parlamento português - esta matéria foi de fratura. E é fundamental que este espírito se mantenha", apontou.

Além do PS, também o Bloco de Esquerda acusou em agosto o presidente do PSD de "usar a xenofobia" como "estratégia de sobrevivência", argumentando que as suas críticas à lei da imigração são uma aposta no preconceito e ataque aos mais fracos.

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