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Governos e empresas devem aprender com a eficiência da natureza - especialista

Logótipo de O Jogo O Jogo 23/09/2017 Administrator

Governos e empresas devem observar a natureza e seguir as suas estratégias para resolver problemas, como os incêndios florestais em Portugal, defende uma especialista em biomimética.

"Ao aplicar estratégias de inovação inspiradas na natureza, as empresas podem reduzir significativamente os custos com energia, e aumentar a eficiência e sustentabilidade dos seus produtos e processos", disse à Lusa a bióloga e especialista em biomimética Leen Gorissen.

A biomimética estuda a natureza, as suas estratégias e princípios e aplica-os à organização e tecnologia humanas, nas empresas ou nas entidades públicas.

Os exemplos são variados, em diversos setores económicos, mas também no ordenamento do território e, quando questionada acerca do que podem os portugueses aprender com a natureza e os animais para enfrentar os incêndios florestais, Leen Gorissen fala dos castores.

A natureza "nunca desenvolve monoculturas, ao contrário aposta na diversidade. Por exemplo, os castores reduzem os impactos do fogo criando 'mosaicos' que atuam como corta-fogo natural", e permitem que o incêndio seja de menores dimensões do que seria "numa paisagem homogénea", argumenta a especialista.

"Os governos podem aprender com os castores como fazer a prevenção de incêndios criando mosaicos de elevada biodiversidade na paisagem", conclui Leen Gorissen, doutorada em ecologia, evolução e comportamento e a trabalhar em Bruxelas como consultora e que vai estar em Lisboa a 02 de outubro para participar numa sessão de formação para empresas organizada pelo Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD) Portugal.

Num outro exemplo, para países com problemas de seca, como acontece atualmente em Portugal, seria interessante perceber como conseguem os cogumelos, muito dependentes da existência de água, induzir a chuva, assim como seria importante investir em modos de retirar da atmosfera dióxido de carbono, uma das tarefas necessárias para cumprir o Acordo de Paris, contra as alterações climáticas.

"Uma forma é proteger as baleias e promover a sua reprodução", relata, pois estes animais ajudam a retirar dióxido de carbono da atmosfera e a armazená-lo no oceano, além da sua presença significar o aparecimento de mais peixe, "o que também é bom para a economia".

Da lista de empresas com bons resultados por seguirem as lições da natureza consta a canadiana Whalepower, caso em que voltam a aparecer as baleias.

A empresa do setor energético imitou a eficiência hidrodinâmica conferida pelos recortes e saliências das barbatanas das baleias para aumentar a eficiência das pás das turbinas dos parques eólicos e conseguiu uma melhoria de 60%.

Leen Gorissen apontou ainda a "sabedoria" das térmitas para responder à necessidade de manter uma temperatura constante em ambientes fechados, independentemente de, no exterior, a oscilação situar-se entre zero e 40 graus centígrados.

As térmitas "inventaram um sistema inteligente de ventilação para manter o clima interno constante", refere a bióloga.

Um grupo de arquitetos "copiou" o princípio seguido pelas térmitas para aplicar num edifício de escritórios em Harare, no Zimbabué. A construção utiliza ventilação natural para ter uma temperatura agradável no interior e dispensa os equipamentos tradicionais de ar-condicionado, o que levou a poupanças de 3,5 milhões de dólares (2,9 milhões de euros) anuais na fatura da energia.

Acerca da aplicação dos princípios da biomimética na economia circular, Leen Gorissen refere, mais uma vez, o caso concreto de uma empresa que recicla alcatifas velhas para fazer novas e paga a pescadores para recolherem restos de redes de pesca que estão no oceano para fabricarem novos tapetes. Assim, obtêm matéria-prima e dão um contributo para a limpeza do mar.

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