Ao utilizar este serviço e o conteúdo relacionado, concorda com a utilização de cookies para análise, anúncios e conteúdos personalizados.
Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

Grécia: Governo e oposição conservadora preparam mobilização para próximo duelo eleitoral

Logótipo de O Jogo O Jogo 12/07/2017 Administrator

A oposição conservadora grega, animada pelas sondagens que lhe dão vantagem, acusa o Governo de promessas não cumpridas, com a esquerda no poder a responder que encontraram um país à beira do colapso quando subiram ao poder em 2015.

Na recém-inaugurada sede central em Atenas da Nova Democracia (ND, direita conservadora e principal partido da oposição), é visível um ambiente de expetativa e relativa esperança. O partido liderado por Kyriakos Mitsotakis, proveniente de uma das mais importantes famílias políticas da direita grega, tem liderado as sondagens e pede eleições antecipadas, apenas previstas para meados de 2019.

Os conservadores têm acusado o partido de esquerda Syriza, no poder desde janeiro de 2015 e em coligação com um pequeno partido da direita soberanista, de total desrespeito pelas promessas eleitorais.

"Criaram grandes expetativas sobre um governo diferente e enormes promessas para o povo grego. Mas dois anos e meio depois, cortaram nas pensões, impuseram novos impostos generalizados ao setor privado, sendo inevitável que as pessoas procurem paraísos fiscais fora da Grécia, e isso não ajuda uma economia mal orientada", acusa Vasilis Kikilias, o porta-voz da ND, ex-jogador de basquetebol e ex-ministro da Ordem Pública no anterior governo de coligação entre a ND e os sociais-democratas do Pasok em 2014, no auge da "crise da dívida" na Grécia e da contestação social.

"E são neocomunistas, não acreditam no mercado livre, não acreditam no investimento na Grécia, fazem-no porque foram obrigados a assinar um Memorando de Entendimento [MoU], o quarto programa de resgate" prossegue, numa alusão ao acordo assinado em 15 de junho passado entre Atenas e os credores, e que o Governo anunciou como uma nova e previsível revisão do terceiro programa de resgate firmado pelas duas partes em julho de 2015.

"Chegámos ao poder em 2015 com uma plataforma política para a renegociação com os credores europeus e para explicar que estes programas de ajustamento são ineficazes e aprofundaram a crise financeira e orçamental que enfrentamos desde 2009. E que as medidas agravaram a recessão", responde Dimitrios Tzanakopoulos, ministro de Estado e porta-voz oficial do Executivo numa ampla sala da Mansão Maximos, a sede do Governo em Atenas.

O dirigente do Syriza admite que "existe austeridade" devido à dependência da Grécia face aos credores, ao profundo endividamento do país (179% em comparação com o PIB), mas assinala a "coragem política e moral" do partido ao revelar qual era o acordo e colocar na população a decisão sobre a sua aplicação, quando decidiram antecipar as eleições legislativas para setembro de 2015.

"A ND não é um partido anti-austeridade, o seu programa está muito perto do que propõe o FMI: desregulação do mercado de trabalho, redução de impostos para as grandes empresas, para os oligarcas", prossegue, referindo-se a um partido "profundamente corrupto".

"Devem 200 milhões de euros aos bancos gregos, que não estão em condições de pagar, porque como partido garantiram empréstimos sem qualquer segurança ou garantia".

As duas principais forças políticas que se confrontam na Grécia, em particular uma direita afastada do poder sem estar habituada, radicalizam o discurso e ensaiam uma mudança de estratégia, dirigida a uma população que continua a sentir diariamente os efeitos de uma profunda recessão.

O porta-voz da ND diz que durante o anterior governo de Antonis Samaras, o antigo primeiro-ministro e ex-líder dos conservadores, a economia estava a reagir, os impostos baixaram, e se preparavam para abandonar os planos de resgate.

"Nas próximas eleições, o governo e Alexis Tsipras [primeiro-ministro] vão pagar com a mesma moeda com que trataram a população", promete.

"Uma larga maioria da sociedade grega compreende que a única forma de sair da crise é dizer a verdade, ser confiante, garantir investimentos para a Grécia, tornar o setor público mais pequeno e mais eficaz, reduzir o custo do pessoal administrativo, e a nossa grande prioridade, baixar os impostos", revela, numa alusão ao programa do partido.

O responsável do Governo grego prefere sublinhar as medidas aprovadas desde 2015, e perspetivar o futuro. Refere-se às "grandes alterações no âmbito do Estado social", no sistema de saúde, na planeada reforma da educação, na tentativa em regularizar o mercado de trabalho "com medidas de controlo das grandes empresas que não respeitam a legislação", e considera que as reduções de impostos propostas pela ND apenas se dirigem às grandes empresas e corporações.

"O mais importante é a eficácia administrativa que demonstramos em muitos setores da vida diária, para satisfazer as forças sociais que queremos representar", sublinha, para também desvalorizar as sondagens, que têm colocado a ND vários pontos à frente do Syriza nas intenções de voto.

"Tenho a certeza que a larga maioria do povo grego entende a profunda linha divisória que nos separa da ND, muito responsável pelo que sucedeu em 2009. Quando chegarmos à decisão do povo veremos que as sondagens não vão ter muita importância".

Nos acalorados debates parlamentares, destacou-se a proposta do Syriza, aprovada pelo parlamento onde a coligação garante 153 dos 300 lugares, em abolir o "bónus" de 50 deputados para o partido mais votado, uma norma imposta após o regresso da democracia em 1974 e que até 2015 sempre beneficiou as duas tradicionais "famílias políticas" gregas, a ND e o Pasok.

Uma medida que apenas entrará em vigor após a realização das próximas eleições, mas que parece ameaçada.

"Não concordamos com a alteração do sistema eleitoral que termina com o bónus de 50 deputados. Em tempos de crise, precisamos de governos fortes, com forte vontade, e um forte mandato para garantir as reformas", refere Vasilis Kikilias.

"Alexis Tsipras apenas fez isso para tentar criar obstáculos à governação para breve da ND e de Kyriakos Mitsotakis, porque sabe profundamente, na sua alma, que fracassou e que vai perder as próximas eleições. Mas vamos anular esta medida", prometeu.

AdChoices
AdChoices

Mais de O Jogo

image beaconimage beaconimage beacon