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Grupos de direitos humanos criticam prisão de jovens líderes dos protestos em Hong Kong

Logótipo de O Jogo O Jogo 17/08/2017 Administrator

Grupos de direitos humanos e políticos norte-americanos condenaram hoje as penas de prisão efetiva aplicadas a três jovens líderes pró-democracia, incluindo Joshua Wong, por uma ação que desencadeou a ocupação das ruas de Hong Kong em 2014.

A Amnistia Internacional disse que a busca "incansável" pelo governo de penas de prisão para Joshua Wong, Nathan Law e Alex Chow foi um "ataque vingativo" à liberdade de expressão e reunião pacífica.

"O verdadeiro perigo para os direitos de liberdade de expressão e reunião pacífica em Hong Kong é a continuada perseguição pelas autoridades de proeminentes ativistas democratas. As acusações destinadas a dissuadir a participação em protestos pacíficos devem ser paradas", disse a diretora da Amnistia Internacional em Hong Kong Mabel Wu, citada pela Rádio e Televisão Pública de Hong Kong.

A diretora da organização Human Rights Watch para a China, Sophie Richardson, reagiu através da rede social Twitter.

"A democracia em Hong Kong, que se posiciona como centro legal, de negócios e de liberdade de expressão foi gravemente prejudicada pelas sentenças de hoje", escreveu.

Um painel de três juízes decidiu hoje agravar as sentenças conforme pedido de recurso pelo secretário para a Justiça.

A decisão substitui as sentenças no ano passado de 80 e 120 horas de serviço comunitário para Joshua Wong e Nathan Law, ambos do partido Demosisto, e pena suspensa de três semanas de prisão para o ex-dirigente da federação de estudantes Alex Chow.

Os juízes disseram que era preciso dissuadir outros manifestantes de tais atos e condenaram à prisão Nathan Law (oito meses), Alex Chow (sete meses) e Joshua Wong (seis meses), depois de deduções de um mês nas sentenças de Wong e Law por serviço comunitário já cumprido.

Os ativistas foram levados para a prisão após a leitura da sentença. Os seus apoiantes disseram que eles planeiam recorrer da decisão.

O académico da Universidade de Hong Kong Eric Cheung, que estava no tribunal em apoio aos jovens presos disse que estava triste que os três jovens fossem colocados atrás das grades e destacou a sua dedicação e "grande potencial".

"O que eles fizeram (...) foi realmente por preocupação com Hong Kong", disse Cheung.

Nos Estados Unidos, o senador Marco Rubio, que lidera uma comissão no Congresso sobre a China, também criticou as sentenças:

"As acusações políticas e as novas sentenças destes jovens é uma vergonha e mais uma prova de que a estimada autonomia de Hong Kong está precipitadamente em erosão".

Rubio disse que as políticas dos EUA devem refletir a realidade de que Pequim está a tentar esmagar a nova geração do movimento pró-democracia de Hong Kong e a minar o princípio "Um país, dois sistemas", que entrou em vigor em 1997, com a passagem da soberania de Hong Kong da Grã-Bretanha para a China, Pequim prometeu deixar a cidade manter a sua ampla autonomia e direitos civis, como liberdade de expressão e manifestação, desconhecidos no interior da China.

O congressista Chris Smith acrescentou que Hong Kong pode arriscar perder o seu estatuto especial perante as leis dos Estados Unidos se Pequim recusar seguir as promessas feitas na Declaração Conjunta sino-britânica.

Tanto as condenações de hoje a penas de prisão efetivas como a de outros 13 ativistas no início da semana, por um caso anterior ao movimento 'Occupy', aumentaram os receios de que o sistema judiciário independente de Hong Kong esteja sob ameaça por o governo da cidade apoiado por Pequim alegadamente estar a usar os tribunais para reprimir a oposição e restringir a sua capacidade de protesto.

Antes do julgamento, o Departamento de Justiça de Hong Kong disse que não havia "absolutamente nenhuma base para inferir qualquer motivo político" da sua parte em relação ao caso.

No ano passado, Nathan Law, então com 23 anos, tornou-se o mais novo deputado a ser eleito em Hong Kong, mas, tal como outros cinco eleitos pela população, viria meses mais tarde a ser desqualificado por usarem os seus juramentos para protestar contra Pequim.

Joshua Wong, de 20 anos, também falou de seu desejo de se candidatar, mas não pôde fazê-lo por não ter a idade mínima de 21 anos.

Alex Chow, que na sexta-feira faz 27 anos, pretende fazer um doutoramento no estrangeiro, mas a sentença veio atrasar os seus planos.

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