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Guiné Equatorial acusa cartoonista crítico do regime de lavagem de dinheiro

Logótipo de O Jogo O Jogo 20/09/2017 Administrator

O Governo da Guiné Equatorial justificou a detenção, no domingo, do cartoonista Ramon Esono Ebale com "lavagem e falsificação de dinheiro", mas organizações não-governamentais internacionais dizem que a verdadeira razão é a crítica ao regime de Obiang.

De acordo com a televisão estatal, Ramon Esono Ebale foi detido no sábado porque foi encontrado na sua casa um milhão de francos, o equivalente a cerca de 1.500 euros, e incorre numa pena de 40 anos de prisão.

No entanto, organizações não-governamentais (ONG) como a EG Justice ou a Human Rights Watch relacionam a detenção com os cartoons que o artista tem desenhado sobre o Presidente, nos quais Obiang é representado de forma muito crítica e gráfica.

"É uma armadilha terrível", comentou a irmã do artista à AFP, considerando que "deve ser pela liberdade de expressão que Ramon foi preso".

No domingo, a Lusa noticiou que o cartoonista, premiado internacionalmente, foi detido na noite de sábado quando saía de um restaurante acompanhado do coordenador da cooperação espanhola na Guiné Equatorial e de um professor da escola espanhola, tendo sido levado para a esquadra da polícia de Malabo, conhecida como 'Guantanamo'.

Ramón Esono Ebalé é um ativista dos direitos humanos e cartoonista muito crítico do regime de Teodoro Obiang já premiado internacionalmente e com exposições em países como a Argélia, Espanha (ARCO), Moçambique ou Etiópia. Viveu grande parte da vida em Malabo, mas reside atualmente no Paraguai (estava de visita à capital da Guiné Equatorial).

Na Guiné Equatorial, Ebalé foi professor de desenho no centro cultural francês, trabalhou para o centro cultural espanhol e já trabalhou como ilustrador para a UNICEF. É cofundador da primeira revista africana de banda desenhada.

Para a EG Justice, sediada nos Estados Unidos, a prisão está ligada aos cartoons que o artista tem desenhado sobre o Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang.

A Human Rights Watch considera que esta detenção é "o mais recente episódio de retaliação do Governo contra artistas que criticam o Executivo", e lembra mais três casos passados nos últimos três meses em que artistas ou entidades culturais foram detidas ou penalizadas por críticas à Presidência de Obiang, no poder desde 1979.

Uma petição lançada na Internet para pedir a libertação de Ebale já recolheu 2.100 assinaturas.

A Guiné Equatorial é o mais recente membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e também da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), produzindo cerca de 320 mil barris de petróleo por dia.

Teodoro Obiang mantém o recorde de permanência no poder em África, estando à frente dos destinos deste pequeno e pobre país com cerca de um milhão de habitantes desde 1979.

No ano passado foi reeleito para o quinto mandato, tendo recolhido 90% dos votos.

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