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Guterres apela ao diálogo entre grupos armados e Governo na República Centro-Africana

Logótipo de O Jogo O Jogo 26/10/2017 Administrator

O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, apelou hoje aos grupos armados da República Centro-Africana (RCA) para que aceitem participar na via política para resolver a crise político-militar no país.

Guterres, que falava numa conferência de imprensa conjunta com o presidente da RCA, Faustin-Archange Touadéra, após uma reunião de trabalho na presidência centro-africana, em Bangui, onde se encontra de visita oficial.

Entre outros temas, Guterres e Touadéra analisaram em conjunto o documento "Desarmamento, Desmobilização e Reinserção", um "roteiro para a paz" conhecido já por "DDR", proposto pelo presidente centro-africano e apoiado pelas Nações Unidas.

"Apelo aos grupos armados para que aceitem participar na via política do país", disse o secretário-geral da ONU, reiterando que o "DDR" conta com o apoio da ONU.

Touadéra, por seu lado, salientou a mesma ideia e reforçou-a com o facto de considerar que o diálogo com os grupos armados está no "centro da estratégia" do "DDR".

Também em Bangui, e após um encontro com Guterres, o embaixador da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), Adolphe Nahayo, sublinhou a importância da iniciativa africana de mediação da paz na RCA, missão que se quer "cumprida totalmente", salientando ainda que conta também com o apoio da ONU.

"Se tivermos dinheiro, iremos encontrarmo-nos no terreno com todos os grupos armados para lhes dizer que é tempo de parar com a violência", disse Nahayo aos jornalistas, admitindo que já foram dados alguns passos nesse sentido.

O "DDR", um "projeto-piloto" apresentado em setembro último, visa desarmar as milícias que controlam a maior parte do país.

Com 4,5 milhões de habitantes, a República Centro Africana tarda em ultrapassar um conflito iniciado em 2013 entre os grupos armados, sobretudo os Séléka e anti-Balaka, apesar da intervenção da França (2013-2016) e da missão da ONU no país.

Ao contrário do projeto, que está em "banho-maria", os conflitos entre as diferentes milícias estão bastante ativos em algumas partes do país, sobretudo no sudeste, noroeste e centro, tendo provocado centenas de mortes entre a população civil.

Em meados de setembro, uma remodelação ministerial permitiu a entrada no Governo centro-africano de representantes de vários grupos armados.

Esta "abertura", escreve a agência France Presse, suscitou o ceticismo de numerosos observadores, uma vez que o presidente centro-africano continuou com um discurso belicista e garantiu que a justiça será "implacável" para os autores de crimes.

Após o encontro entre Guterres e o presidente centro-africano, os dois deslocaram-se à Praça dos Mártires, no centro de Bangui, onde depositaram uma coroa de flores.

Quarta-feira, Guterres deslocou-se a Bangassou (sudeste), palco de violentos confrontos nas últimas semanas, incidentes que provocaram dezenas de mortos, segundo fontes oficiosas.

De novo em Bangui, o secretário-geral das Nações Unidas reuniu-se à porta fechada com vítimas de violência sexual e respetivas famílias.

Guterres chegou terça-feira à RCA para uma visita que constitui também a primeira que efetua a missões de manutenção de paz da ONU desde que assumiu funções, em janeiro último.

Antes de viajar para Bangui, Guterres pediu à comunidade internacional para reforçar com mais 900 militares a missão de paz da ONU na RCA, a Minusca, que conta atualmente com 12.500 "capacetes azuis".

O pedido será analisado em novembro pelo Conselho de Segurança da ONU, que já garantiu que vai renovar o mandato da Minusca.

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