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Havana responsabiliza EUA por "deterioração atual e possivelmente futura" das relações bilaterais

Logótipo de O Jogo O Jogo 03/10/2017 Administrator

Cuba afirmou hoje que os Estados Unidos são "responsáveis pela deterioração atual e possivelmente futura" das relações entre os dois países, após o anúncio da expulsão de 15 diplomatas cubanos destacados em Washington.

"Por estas ações politicamente motivadas e irreflexivas, o Governo dos Estados Unidos é responsável pela deterioração atual e possivelmente futura das relações bilaterais", disse o chefe da diplomacia cubana, Bruno Rodriguez, numa conferência de imprensa em Havana.

Antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros cubano já tinha qualificado a medida norte-americana como "inaceitável" e "infundada".

Os Estados Unidos anunciaram hoje a expulsão de 15 diplomatas cubanos destacados em Washington, após a retirada de mais de metade do pessoal da embaixada norte-americana em Havana em reação a alegados ataques que afetaram funcionários daquela representação diplomática.

Os ataques que estão na origem da decisão de Washington, que foram qualificados na semana passada pelo Departamento de Estado norte-americano "de natureza desconhecida", afetaram a saúde de 22 funcionários da embaixada dos Estados Unidos na capital cubana.

Problemas de ouvidos e perda de audição, tonturas, dores de cabeça, fadiga, dificuldades cognitivas e dificuldade em dormir foram alguns dos sintomas registados pelos funcionários entre finais de 2016 e agosto último.

Segundo o chefe da diplomacia norte-americana, Rex Tillerson, a medida foi tomada "devido à incapacidade de Cuba de tomar medidas adequadas para proteger" os diplomatas norte-americanos, mas também para "assegurar a equidade" da presença diplomática dos dois países.

Apesar de uma intensa investigação da polícia federal norte-americana (FBI), as causas e os responsáveis pelos ataques continuam um mistério, com alguns especialistas a especularem que algum tipo de arma sónica secreta ou um dispositivo de vigilância defeituoso poderiam estar relacionados com os acontecimentos.

Este episódio surge numa altura em que as relações bilaterais entre Washington e Havana, restabelecidas em julho de 2015 durante a administração de Barack Obama (democrata) após uma suspensão de mais de meio século, vivem um período de esfriamento perante as novas políticas assumidas pelo Presidente Donald Trump (republicano).

Trump tem sérias reservas em relação a uma política de abertura com Cuba, apoia o embargo económico imposto à ilha e recusa-se a negociar com o governo de Havana, a menos que veja avanços democráticos naquele território.

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