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HRW acusa forças de segurança do Ruanda de execuções extrajudiciais

Logótipo de O Jogo O Jogo 13/07/2017 Administrator

A Human Rights Watch (HRW) acusou hoje as forças de segurança do Ruanda de terem matado, desde abril de 2016, pelo menos 37 detidos por crimes menores, e exigiu ao governo que acabe com as execuções extrajudiciais.

"As forças de segurança ruandesas estão a realizar uma brutal campanha de assassinatos a sangue frio na província ocidental", afirmou o especialista da HRW para África, Daniel Bekele.

A organização de defesa dos direitos humanos divulgou hoje o relatório "Todos os ladrões devem ser mortos: execuções extrajudiciais no oeste do Ruanda", no qual descreve como militares e polícia, muitas vezes com a ajuda de autoridades civis, executaram dezenas de delinquentes que não foram levados a tribunal para determinar a sua culpa.

A HRW entrevistou mais de uma centena de pessoas, funcionários, familiares e amigos das vítimas, tendo documentado o desaparecimento de quatro detidos e a execução de 37 outros acusados de delitos menores, como roubar bananas, uma vaca ou uma motorizada, fazer contrabando de marijuana, utilizar redes de pesca ilegais ou passar a fronteira a partir da República Democrática do Congo.

Segundo o relatório, as autoridades utilizaram as execuções extrajudiciais como "uma advertência", já que na maioria dos casos contaram em reuniões públicas o que se tinha passado com os detidos e ameaçaram fazer o mesmo com os restantes criminosos da região.

"Os assassinatos e os desaparecimentos forçados parecem fazer parte de uma estratégia mais ampla para difundir o medo, fazer cumprir a ordem e dissuadir qualquer resistência às ordens ou políticas governamentais", afirma a HRW num comunicado.

Além de exigir o fim das execuções extrajudiciais, a organização pediu ao governo do Ruanda para investigar estes assassinatos de modo exaustivo e imparcial e julgar os seus responsáveis.

Paul Kagame, presidente do Ruanda desde 2003, tem sido repetidamente criticado pela dureza com que reprime críticos e dissidentes.

O relatório da HRW é divulgado na véspera do início da campanha eleitoral para as presidenciais do Ruanda de 04 de agosto, nas quais Kagame deverá ser eleito para um terceiro mandato, após ter alterado a Constituição para se poder candidatar.

O partido de Kagame, a Frente Patriótica Ruandesa, uma formação tutsi, domina a política do país desde que o seu braço armado (agora transformado no exército) derrubou em julho de 1994 o regime hutu extremista, acabando com o genocídio -- cerca de 800.000 mortos sobretudo da minoria tutsi -- desencadeado três meses antes.

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