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HRW exige justiça sobre o massacre de 2009 na Guiné Conacri

Logótipo de O Jogo O Jogo 27/09/2017 Administrator

A organização Human Rights Watch disse hoje que a Guiné Conacri deve "fazer justiça" e indemnizar as famílias das vítimas do massacre de mais de 150 pessoas ocorrido no dia 28 de setembro de 2009.

O documento da organização Human Rights Watch (HRW) é assinado também pela Associação das Vítimas, Familiares e Amigos do Massacre de 28 de Setembro.

Em 2009, a violência da polícia da Guiné Conacri provocou a morte de mais de 150 pessoas que se manifestavam contra a junta governativa de forma pacífica.

Mais de uma centena de mulheres foram violadas, além dos ferimentos sofridos por centenas de manifestantes.

Oito anos após o massacre ocorrido num estádio desportivo, as investigações judiciais do país, iniciadas formalmente em fevereiro de 2010, ainda não terminaram.

"Os juízes que investigam o massacre de setembro de 2009 conseguiram grandes avanços" disse Elise Keppel, diretor da HRW para as questões relacionadas com direito internacional, mas, acrescentou, "o trabalho tem de ser finalizado para que os responsáveis sejam levados a tribunal sem demora".

O relatório frisa que os investigadores conseguiram progressos apesar dos obstáculos políticos, financeiros e logísticos.

Detentores de altos cargos, incluindo Moussa Dadis Camara, o antigo dirigente do Conselho Nacional para a Democracia e Desenvolvimento e líder da junta que governava o país em 2009, e o vice-presidente do organismo, Mamadouba Toto Camara foram acusados formalmente.

Abukabar "Toumba" Diakité, ajudante-de-campo de Moussa Dadis Camara, também foi acusado depois de ter sido extraditado para a Guiné Conacri, após de cinco anos no exterior do país.

"Os suspeitos de responsabilidade criminal continuam a manter posições de poder, num gesto que afronta as vítimas e as famílias, mostrando uma mensagem negativa sobre a tolerância à impunidade na Guiné Conacri", disse François Patuel, investigador da Amnistia Internacional para os assuntos da África Ocidental.

"Todos aqueles que enfrentam acusações e que mantêm cargos na administração deviam suspender os mandatos até ao final da decisão judicial para que existam garantias de que não se verificam interferências que possam alterar os processos em curso", acrescentou o mesmo responsável.

Até ao momento, os juízes ouviram mais de 400 sobreviventes, além de familiares das vítimas e outras testemunhas e de membros das forças de segurança.

A HRW considera "impressionante" alguns aspetos da investigação, como a indicação da provável existência de uma vala comum com dezenas de cadáveres, "que ainda não foram contabilizados".

O documento da organização de defesa de direitos humanos com sede nos Estados Unidos acrescenta que vários membros da administração ainda não foram formalmente acusados e muito menos ouvidos pelos investigadores.

As autoridades de Conacri deviam também garantir que os abusos cometidos após o dia 28 de setembro de 2009, incluindo a morte de 70 pessoas durante uma manifestação posterior, fossem investigados e julgados pelos tribunais competentes.

A HRW recorda também que o Tribunal Penal Internacional deu início a uma apreciação preliminar sobre a situação na Guiné Conacri em 2009 e que tem lembrado o governo de Conacri das obrigações sobre o cumprimento da justiça.

As Nações Unidas criaram igualmente uma Comissão Internacional de Inquérito que concluiu que os atos cometidos no dia 28 de setembro de 2009 constituem "crimes contra a humanidade".

"Não consigo ultrapassar isto. A minha vida foi atirada ao ar. Um dia depois dos soldados me terem violado o meu marido e a minha filha abandonaram-me. A justiça deve ser feita e as vítimas têm de ser indemnizadas", disse uma das mulheres atacadas pelos militares durante o massacre.

"As vítimas do '28 de setembro' sofreram as piores formas de brutalidades e têm sido alvo de perseguições ao longo dos últimos oito anos", disse Asmaou Diallo, da Associação de Vítimas, Familiares e Amigos do Massacre de 28 de Setembro.

"As vítimas merecem ver 'as rodas' da justiça a andar para a frente", frisou Diallo.

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