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Incêndios: Baldios da Serra da Lousã querem mais formação dos sapadores

Logótipo de O Jogo O Jogo 16/07/2017 Administrator

As organizações dos baldios da Serra da Lousã têm-se destacado nos últimos anos na prevenção dos incêndios, mas algumas exigem uma melhor resposta do Estado ao nível da formação dos sapadores florestais.

Tanto o conselho diretivo dos Baldios da Lousã, como o congénere da freguesia de Vila Nova, no concelho de Miranda do Corvo, distrito de Coimbra, assumem "algumas dificuldades" na formação da parte de entidades da administração central com competências na matéria.

"Queremos dar formação a dois novos sapadores e estamos com dificuldades", afirma à agência Lusa o presidente dos Baldios da Lousã, Manuel Parola Gonçalves, que há dois anos derrotou uma lista que integrava Amândio Torres, atual secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, como candidato à mesa da assembleia geral.

A direção solicitou "várias vezes" ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) para assegurar essa formação, no Centro de Formação de Técnicas Florestais (COTF), nos arredores da Lousã.

O organismo "respondeu que não faz cursos de sapadores" há cerca de dois anos, lamentou Parola Gonçalves, que ao longo de sucessivos mandatos integrou a Câmara local, pelo PS, como vereador, vice-presidente e presidente substituto.

Os espaços comunitários da sede do concelho totalizam os 377 hectares, enquanto os baldios vizinhos da extinta freguesia de Vilarinho rondam os 970 hectares.

Estas organizações "são fundamentais para a prevenção dos fogos", pelo trabalho que os sapadores realizam em florestas do Estado, baldios, propriedades privadas, bermas das estradas e áreas do domínio municipal.

Na Lousã, a direção dos baldios tem de procurar receitas nos serviços que presta a empresas, outros particulares e Câmara.

"Nem todos os baldios têm rendimentos das eólicas ou outros", explica Parola Gonçalves, frisando que não existem parques de energia do vento nos terrenos comunitários sob sua alçada.

O conselho diretivo dos Baldios da Freguesia de Vila Nova, concelho de Miranda do Corvo, gere uma área de cerca de mil hectares.

Além de oito sapadores florestais, dispõe de uma técnica florestal e uma assistente administrativa, refere aquela estrutura, numa nota enviada à Lusa.

"Gostaríamos de contar com mais colaboradores, mas, neste momento, ainda estamos impedidos de recorrer aos apoios do Instituto do Emprego e Formação Profissional, situação que esperamos ver resolvida com a aprovação da nova Lei dos Baldios", adianta.

Ao abrigo do serviço público que estão obrigados a prestar, acompanhado pelo ICNF, "limpou-se nos últimos quatros anos mais de 100 hectares de área florestal dentro do baldio", refere aquele órgão.

No último inverno, em colaboração com a Câmara de Miranda do Corvo, procedeu à "limpeza e alargamento de alguns quilómetros de estradas florestais".

O serviço público assegurado pelos sapadores dos baldios, no Centro e no Norte de Portugal, "deveria ser pago à cabeça", antes da realização do trabalho, para evitar dificuldades no pagamento aos trabalhadores, defende Parola Gonçalves.

Anualmente, os Baldios da Lousã recebem do ICNF 40 mil euros para essas tarefas.

Este ano, em reação aos graves incêndios de junho, a fase "Charlie" do combate aos fogos, que deveria ter começado em 01 de julho, arrancou em 22 de junho e decorrerá até 30 de setembro.

A segunda de quatro prestações "só será recebida em agosto", mas Parola Gonçalves entende que o seu pagamento "devia ser antes da fase Charlie".

Em 2016, os compartes de Vila Nova retomaram a resinagem de pinheiros, "com a presença quase em permanência de quatro resineiros, o que é uma mais-valia na defesa da floresta" contra incêndios.

"Temos procedido também à plantação de árvores resistentes ao fogo, como castanheiros e carvalhos", indicou a direção.

Por sua vez, Luís Trota admite que, durante os últimos fogos na região, temeu que as chamas atingissem o município da Lousã, "o que, felizmente, não se verificou".

Nos Baldios de Vilarinho, é realizada "sempre uma limpeza anual", em aceiros, caminhos e faixas de contenção.

"Mas, com os meios disponíveis, não é humanamente possível ter tudo feito" ao mesmo tempo, já que a vegetação cresce rapidamente nas áreas que vão sendo limpas, explica.

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