Está a utilizar uma versão de browser mais antiga. Utilize uma versão suportada para obter a melhor experiência possível com o MSN.

Incêndios: Catarina Martins defende prioridade à reconstrução da capacidade produtiva

Logótipo de O Jogo O Jogo 21/10/2017 Administrator

A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu hoje que a prioridade na resposta aos incêndios deve ser, além da emergência assistencial, reconstruir a capacidade produtiva do país.

No discurso de abertura da cimeira europeia "Plano B", que até domingo decorre em Lisboa, Catarina Martins afirmou que, nos incêndios trágicos deste verão - que já mataram mais de 100 pessoas em Portugal - "o estado mínimo falhou e é preciso acabar com este modelo", considerando que "houve escolhas erradas".

"A prioridade, para lá da emergência assistencial que necessariamente estas populações precisam, tem que ser reconstruir a capacidade produtiva e todos os empregos que veem o seu futuro em perigo por causa dos incêndios", apelou.

Segundo Catarina Martins, "há tanta gente que não pode esperar pelos caminhos infindáveis da burocracia", sendo "preciso chegar-lhes rapidamente".

"Foi importante que hoje tenha sido decidido uma forma expedita de indemnizar as vítimas. Se calhar já devia ter sido há mais tempo porque as de Pedrógão ainda aguardavam a decisão", referiu, numa alusão à decisão do Conselho de Ministros extraordinário de hoje sobre indemnizações no âmbito dos fogos florestais dos últimos meses.

De acordo com a líder do BE, no combate aos incêndios deste ano, "houve erros e esses erros têm que ser avaliados", criticando que a política em Portugal da floresta e da Proteção Civil siga "todos os preceitos neoliberais", com um "estado mínimo" e com floresta a ser "deixada ao mercado, onde manda a celulose".

"Até com a autoridade nacional que nós tínhamos para as florestas se acabou nos tempos da 'troika'. O Bloco até aprovou recomendações empenhadas sobre ser preciso sapadores florestais e vigilância e nunca nada foi posto em prática porque 'aí o défice, aí a austeridade'", criticou.

Catarina Martins afirmou que "a direita que hoje censura o Governo pela má condução no combate aos incêndios é a mesma que piorou as condições dos bombeiros, que acabou com a autoridade para as florestas".

"O estado é tão mínimo na Proteção Civil em Portugal que também depende para tudo dos contratos com os privados. Seja dos meios aéreos para apagar fogos, seja das comunicações. É tudo PPP, é tudo privado", condenou.

A líder do BE aproveitou o encontro europeu para deixar um "apelo para uma solidariedade internacional" para que seja possível "fazer a reconstrução de um país que neste momento está a viver um dos seus momentos mais difíceis".

A eurodeputada do BE, Marisa Matias, juntamente com um eurodeputado do PCP conseguiram já este ano aprovar, de acordo com Catarina Martins, "uma medida para que os fundos de solidariedade europeus fossem mais expeditos".

Para a líder do BE, "não é normal que, até quando chega à solidariedade, os fundos europeus sejam desenhados para o norte da europa e o sul tenha que ficar em lista de espera".

"O que temos de exigir é que seja possível que o apoio internacional não fique refém de critérios que empobrecem sempre os mesmos", defendeu.

A ministra da Justiça anunciou hoje que a comissão para pagamento de indemnizações aos familiares das vítimas dos incêndios terá 30 dias para fixar os critérios, cabendo depois à Provedoria de Justiça estabelecer o valor das compensações.

Francisca Van Dunem afirmou que o mecanismo extrajudicial de compensação relativo às vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande (junho) e do passado domingo e segunda-feira terá uma adesão voluntária por parte dos familiares e herdeiros das vítimas.

No total, o Governo anunciou hoje a disponibilização de uma verba "entre 300 e 400 milhões de euros" para a recuperação das habitações e infraestruturas de empresas e autarquias, o apoio ao emprego e ao setor agrícola e florestal.

AdChoices
AdChoices

Mais de O Jogo

image beaconimage beaconimage beacon