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Incêndios: Especialista defende prevenção ao nível local para evitar danos

Logótipo de O Jogo O Jogo 15/07/2017 Administrator

A aplicação de medidas preventivas ao nível local pode evitar danos pessoais e materiais causados por incêndios como o de Pedrógão Grande e só é necessário haver vontade política para as adotar, considera Xavier Viegas, especialista em fogos florestais.

Nas vésperas de se assinalar um mês sobre os grandes incêndios na região Centro do país (dia 17), o especialista explicou à agência Lusa como a abertura de faixas em torno das aldeias ou a vigilância por parte das populações, já realizadas em concelhos como Mortágua ou Mação, podem ser úteis para evitar que ardam grandes extensões de floresta e se percam vidas e bens pelo fogo.

Xavier Viegas disse que, apesar de "não conhecer em pormenor" cada um dos municípios, "esses dois concelhos são exemplos porque têm tido algum cuidado em matéria de prevenção", graças a medidas que, na sua opinião, não são mais caras de adotar do que outros gastos "perfeitamente secundários" realizados pelas entidades públicas em Portugal.

"Não quer dizer que estejam livres de poder acontecer algum incêndio - e estou a pensar no concelho de Mação, que foi fustigado por incêndios graves há alguns anos -, mas tenho presente que o município tomou a iniciativa de criar um sistema de proteção nas aldeias, uma medida muito simples mas que me parece muito eficaz, que é a criação de um anel, uma faixa de limpeza, em torno de cada aldeia, que permite às viaturas que se aproximam circular em volta dela e defendê-la desde qualquer que seja a direção de onde venha o incêndio", exemplificou.

O especialista reconheceu que esta solução "é permitida" naquele território porque "tem uma topografia adequada" e admitiu que noutras zonas "não seja aplicável", mas qualificou a medida como "muito boa".

"Porque, ao empenhar uma faixa de segurança em torno das casas, admite que as viaturas que estão a fazer a proteção periférica circulem de um lado para o outro sem ter que atravessar a aldeia, por exemplo", justificou, precisando que uma faixa de terra batida com a "largura de uma estrada" permite "dar mobilidade e criar este anel de proteção".

Em Mortágua (distrito de Viseu), referiu, há uma população "muito ligada à floresta" e "muito motivada para defender o que é seu" - os cidadãos "estão organizados de forma a fazer vigilância sobre os espaços florestais e, dessa maneira, dissuadir pessoas que causem fogo, ou de forma intencional ou por descuido".

"É claro que, apesar de todos estes cuidados, qualquer destes concelhos não está livre de um incêndio [proveniente] de outro concelho ou outra situação", mas são "claramente espaços mais vigiados, com uma intervenção mais pronta" e onde se "consegue manter as ocorrências em áreas pequenas", sublinhou.

No seu entender, esta visão "tem de se espalhar, porque cada vez mais os bombeiros não chegam a todo o lado e as populações têm que estar preparadas para se defenderem sozinhas dos incêndios".

"É claramente uma questão de vontade política, porque o exemplo que dei de Mação [distrito de Santarém] não deve custar mais do que o dinheiro que é gasto noutras coisas que são perfeitamente secundárias", respondeu, ao ser questionado sobre o que faltava para alargar estas medidas a outros concelhos.

Xavier Viegas apontou o caso de Pedrógão Grande e pediu para se olhar à "quantidade de dinheiro despendida na reconstrução", porque "há obviamente perdas que não são recuperáveis em termos de vidas", para perceber as vantagens da prevenção em termos de custos.

Por outro lado, criticou que se esteja à "procura sempre de um culpado", porque "há muitas falhas que convergem para isso", como "a falta de trabalho permanente, de atenção para o problema" e de "envolvimento das pessoas e das populações".

"Não é um problema do Governo, nem do Estado, nem das entidades operacionais, é um problema de todo o país e de toda a população. E enquanto não se trabalhar nesse sentido, diria até mesmo porta a porta, dificilmente se consegue resolver este problema no nosso país", concluiu.

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