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Incêndios: PCP nega boicote parlamentar na ajuda às vítimas e não pede demissões ao Governo

Logótipo de O Jogo O Jogo 12/10/2017 Administrator

O PCP negou hoje a acusação do PSD de que houve um "boicote parlamentar" ao mecanismo extraordinário de ajuda às vítimas dos grandes incêndios do verão e recusou também "pedir cabeças" ao Governo.

"Foi possível ontem [quarta-feira] concluir o processo de discussão na especialidade. É lamentável que o PSD desvalorize esta questão com base numa mentira, fazendo passar a ideia de que há pessoas que ficarão sem ajudas", disse o deputado comunista João Ramos sobre os trabalhos da véspera na Comissão de Agricultura e Mar.

O social-democrata Carlos Abreu Amorim tinha acusado o PS de "boicote parlamentar" ao conseguir introduzir no diploma propostas de alteração que "esvaziam" o texto aprovado na generalidade - com o acordo de PSD, CDS-PP, PCP e BE - e que previa a criação de um mecanismo extrajudicial para um pagamento das indemnizações em cerca de seis meses.

O novo texto conjunto, aprovado pela maioria e com os votos contra de PSD e CDS-PP, integrando iniciativas de PCP, PSD, CDS e, mais tarde, de PS, "tem cerca de 40 artigos e prevê que, quando houver responsabilidade direta do Estado, há lugar à respetiva indemnização, noutros casos haverá também apoios sociais a vítimas e familiares e reforço dos serviços sociais e ajudas á reconstrução e recuperação do potencial produtivo", segundo João Ramos.

Sobre o relatório da Comissão Técnica Independente relativo aos grandes fogos de junho, em Pedrógão Grande e Góis, o deputado do PCP preferiu comentar após uma avaliação do documento, só hoje tornado público, embora defendendo a assunção de todas responsabilidades, caso sejam apuradas.

"O PCP não se pronuncia relativamente pessoas, mas sim a políticas. O PCP não costuma pedir cabeças deste ou daquele. O que vimos defendendo ao longo dos anos são medidas para resolver os problemas apontados", nomeadamente no planeamento e gestão florestais, acrescentou João Ramos.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmara hoje que o Governo irá assumir todas as responsabilidades decorrentes do relatório, que aponta numerosas falhas, incluindo à Autoridade Nacional de Proteção Civil.

O fogo que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho só foi extinto uma semana depois, tal como o incêndio que teve início em Góis. Os dois fogos, que consumiram perto de 50 mil hectares em conjunto, mobilizaram mais de mil operacionais no combate às chamas.

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, tendo alastrado a vários municípios vizinhos, causou pelo menos 64 mortos e cerca de 200 feridos.

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