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Incêndios: Proteção civil tem de estar próxima da população -- investigador

Logótipo de O Jogo O Jogo 04/07/2017 Administrator

O investigador especialista em proteção civil Sérgio Barros defendeu hoje no Porto que os serviços de proteção e socorro devem estar próximos da população, preparando as comunidades rurais para a prevenção de incêndios.

"Confunde-se vulgarmente proteção civil com gestão de ocorrências e a proteção civil é muito mais do que apenas gerir as ocorrências. Começa na análise dos riscos do território e na mitigação desses riscos", disse, numa sessão sobre a problemática dos incêndios, o investigador que é coordenador de uma pós-graduação em Proteção Civil, pertence à Autoridade Nacional de Proteção Civil e está ligado à Força Especial de Bombeiros.

Sérgio Barros defendeu "a necessidade de as pessoas terem conhecimentos em proteção civil", mas frisou que não se deve misturar "prevenção" com "voluntarismo".

"É preciso também saber o que fazer quando acontece um acidente grave. Porque corremos o risco de, com o nosso voluntarismo, e Portugal é um país extremamente afável e voluntário no apoio às comunidades, corremos o risco de com a nossa ajuda, estarmos a bloquear ainda mais os corredores das emergências", frisou.

O investigador, licenciado em Engenharia e Proteção Civil e a especializar-se em Risco de Cidade e Ordenamento do Território, apontou que "muitas vezes não é possível eliminar o risco de incêndio florestal" mas "pode-se trabalhar com a população para que esta seja mais resiliente aos incêndios florestais".

"É preciso trabalhar muito a montante das ocorrências. Isto é proteção civil. Dar responsabilidade às pessoas. Perceber que os riscos estão lá e nem sempre se pode eliminar todos", disse Sérgio Barros em declarações à Lusa à margem de uma sessão dinamizada pelo CRIAP, instituto ligado a áreas como a terapia da fala, o serviço social, a criminologia ou os recursos humanos, mas também com especializações em proteção civil.

"Neste momento há uma alteração climática em curso, há uma mudança da nossa floresta e dos riscos. Temos de nos adaptar. A análise de riscos é dinâmica. E por isso é preciso que haja estudo e análise", defendeu.

Sérgio Barros para além de se focar nas alterações climáticas em curso, alertou para a "mudança geracional" que diz também estar a acontecer.

"As comunidades rurais sempre souberam lidar com o risco florestal. Sempre souberam fazer incêndio de desperdícios florestais, amontoados de mato e queimadas. Isto sempre existiu. O que se verifica hoje é que as condições meteorológicas já não permitem fazer o que se fazia antigamente com à vontade e que o envelhecimento da população também faz com que o saber adquirido, o empírico, já não passe", disse.

O investigador salientou este trabalho como "de todos", defendendo por exemplo que o Instituto da Preservação da Natureza e das Florestas junte as comunidades rurais e as ensine a fazer queimadas, dizendo quando podem ou não fazê-las, entre outros aspetos.

"Tem de se envolver os bombeiros e desburocratizar a questão das licenças também. Passar trabalho que se calhar está nas câmaras para o terreno, para as juntas de freguesia por exemplo. A proteção civil tem de estar o mais próxima possível da população", concluiu.

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