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Ir ao cinema ainda é uma experiência que tem um "impacto social" - Thierry Frémaux

Logótipo de O Jogo O Jogo 05/10/2017 Administrator

O diretor do festival de Cannes, Thierry Frémaux, acredita que as salas de cinema não vão desaparecer, porque ver um filme num grande ecrã é uma experiência com um "impacto social", disse hoje à agência Lusa.

Thierry Frémaux está de passagem por Lisboa para a abertura, hoje, da Festa do Cinema Francês onde apresenta "Lumière!", uma montagem comentada de mais de cem filmes feitos há mais de um século pelos irmãos Lumière, num momento fundador da sétima arte.

Para Frémaux, que também dirige o Instituto Lumière, em Lyon (França), a coexistência de várias plataformas de consumo de cinema, como a televisão, o computador ou o telemóvel, são um sinal dos tempos, de modernidade tecnológica, mas a experiência de ver cinema é para ser vivida dentro de uma sala, escura e com um grande ecrã.

"Não sou contra os multiplex, mas não quero limitar a experiência do cinema aos multiplex. Nós precisamos de filmes com impacto social, de ter a sala, o cartaz lá fora, ter essa experiência", disse Thierry Frémaux.

E deu como exemplo o filme "Okja", de Bong Joon-ho, produzido pela plataforma digital Netflix, exibido este ano no festival de Cannes e que causou polémica por não ter sido permitida a estreia no circuito comercial em França.

"Foi uma pena! Não teve nenhum efeito social [em França], exceto em Cannes", disse Thierry Frémaux.

O programador faz do cinema o trabalho de uma vida, mas diz que ainda encontra prazer em ver um filme, seja no cinema ou na televisão, embora não tenha uma conta na plataforma digital e produtora Netflix.

"Não sou um grande conhecedor de séries de televisão. Há tantos filmes que quero conhecer, realizadores que quero conhecer. É como pedir a um fã de literatura que deixe de ler romances e passe a ler só revistas e contos. Para mim é a mesma coisa: Um filme para cinema, pode ser ficção ou documentário, é como um grande romance", sublinhou.

Thierry Frémaux tem viajado por vários países para mostrar o filme "Lumière!", e aproveita para contactar com agentes do setor do cinema e, sobretudo, ver como é que as pessoas e as cidades encaram o ato de ver cinema.

"Quando vamos a Roma ou a Nova Iorque já quase não vemos cinemas. Admiro as pessoas que ainda arriscam e abrem salas de cinema e fazem o mesmo que [os irmãos] Lumière: Acreditam no cinema. É como ir a um concerto: adoramos ouvir o CD, mas ir a um concerto é diferente", comparou.

A 18.ª Festa do Cinema Francês começa hoje em Lisboa com "Lumière!", mas estender-se-á por mais 11 cidades, como Almada, Coimbra, Porto e Viana do Castelo, até 12 de novembro.

Este ano, a mostra é apadrinhada pelo realizador Arnaud Desplechin, que estará em Lisboa na sexta-feira para a antestreia de "Os Fantasmas de Ismael", filme que abriu a mais recente edição do Festival de Cannes.

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