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Líderes dos BRICS reúnem-se em cimeira decisiva marcada por problemas internos e externos

Logótipo de O Jogo O Jogo 01/09/2017 Administrator

O bloco de grandes economias emergentes BRICS reúne-se esta semana, na China, num contexto marcado por problemas internacionais e internos, que poderão pôr em causa o futuro do grupo, afirma o investigador brasileiro Evandro Carvalho.

A nona cimeira dos BRICS decorre entre 03 e 05 de setembro, na cidade de Xiamen, costa leste da China, e reúne os líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Evandro Carvalho, professor visitante no Centro de Estudos dos BRICS da Universidade Fudan, em Xangai, explica à agência Lusa que a cimeira deste ano ocorre num contexto "bem diferente" do de 2009, quando o bloco se reuniu pela primeira vez.

Brasil, Rússia e África do Sul atravessam um período de crise económica, que no caso brasileiro é "agravado por uma crise política", lembra Evandro Carvalho, que é também professor de Direito Internacional na Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro

Já China e Índia, os únicos membros que mantêm altas taxas de crescimento económico, atravessam um período de renovada tensão nas relações bilaterais.

Entre junho e a semana passada, soldados dos dois países estiveram frente a frente numa zona disputada entre a China e o Butão - aliado da Índia -, no planalto de Doklam (ou Donglang, em chinês), nos Himalaias.

Soldados indianos entraram em território que Pequim reclama seu e travaram a construção de uma estrada, que Nova Deli afirma que teria "sérias implicações para a segurança da Índia".

Para o académico brasileiro, esta disputa fronteiriça é mesmo o "facto mais complexo" da cimeira de Xiamen, que vai envolver um "esforço brutal" de diplomacia entre Pequim e Nova Deli, no qual os outros membros do bloco podem ser "importantes intermediadores".

O bloco BRICS ganhou expressão pela primeira vez em 2001, quando o economista Jim O'Neill, da Goldman Sachs, publicou um estudo intitulado "Building Better Global Economic BRICs", sobre as grandes economias emergentes.

O grupo reuniu-se pela primeira vez em 2009 - na altura ainda sem a África do Sul - e logo estabeleceu uma agenda focada na reforma da ordem internacional, visando maior protagonismo dos países emergentes em organizações como as Nações Unidas, o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional.

No conjunto, os BRICS representam cerca de 40 por cento da população mundial e 23 por cento do produto global bruto.

Vista de Pequim, a ascensão dos BRICS ilustra a emergência de "um mundo multipolar", expressão que concentra a persistente oposição chinesa ao "hegemonismo" ocidental, e em particular dos Estados Unidos.

Evandro Carvalho considera que a agenda reformista é a "essência do BRICS".

"Se perder força, estamos então perante uma situação de debilidade" do bloco, que "pode levar inclusive à sua diluição total", alerta.

"Esta cimeira é importante, porque pode anunciar tanto a continuidade ou dar indícios de que há um processo de enfraquecimento do BRICS", explicou, numa entrevista à agência Lusa.

No entanto, para alguns analistas, o problema de fundo do BRICS reside no desequilíbrio entre a China e os restantes membros do bloco.

A revista The Economist lembra que, em 2001, a China constituía metade da soma do Produto Interno Bruto (PIB) dos países que compõem o bloco, mas que hoje vale dois terços.

O país é ainda sede de algumas das maiores empresas do mundo e várias estimativas apontam que supere os EUA como a maior economia mundial, ao longo da próxima década.

"A maior ameaça à ideia dos BRICS talvez não seja as dificuldades económicas dos países, mas antes o êxito sem precedentes do seu maior membro", refere o The Economist.

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