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Leonardo Jardim: "Este título vale por 3 ou 4 do PSG"

Logótipo de O Jogo O Jogo 21/05/2017 Ana Proença

O treinador campeão no Mónaco realça os méritos da sua equipa, lembrando que o êxito resulta de muito trabalho.

Foi no Estádio Louis II, onde dois dias antes celebrou o título, que Leonardo Jardim, 42 anos, recebeu O JOGO para uma entrevista onde falou da época e não só.

© Reuters / Max Rossi Livepic

Digerida a conquista, mudou algo na sua forma de olhar para este título?

-Sinceramente, nada. Sabia da importância desta vitória, para mim e para o clube. Ganhar este campeonato perante um adversário que era claramente favorito, tetracampeão, era muito importante para as nossas carreiras. Nestas horas que entretanto passaram foi bom estar algum tempo com a família e amigos a festejar.

Além do título, da campanha na Champions, a época fica também marcada pelo futebol de alta qualidade apresentado pelo Mónaco. Isso dá-lhe também um orgulho especial?

-Certamente. Este campeonato vale mais do que sermos campeões por vários fatores. O Mónaco não era de todo favorito. O PSG reunia 90 ou mais por cento do favoritismo e nós, se calhar, nem surgíamos em segundo lugar nos candidatos. Fomos campeões 17 anos depois, com o maior número de pontos de sempre no clube, com recorde de golos. Todos estes extras valorizam ainda mais a nossa conquista. Numa entrevista a uma TV francesa, mal terminou o jogo com o Saint-Étienne, disse que este título valia por três ou quatro do PSG. Porque eles ganharem, ou Bayern na Alemanha, a Juventus em Itália, é o normal, quando isso não sucede algo vai mal...

citacaoSou sincero, não sei quando ou se alguma vez o clube voltará a fazer um campeonato tão bomcentro

Mas neste caso ninguém poderá dizer que houve demérito do PSG...

-Não, isso não, porque eles continuam muito fortes. O PSG está com 86 pontos e pode fazer 89. Só uma vez fez mais, no ano passado. O Mónaco é que foi ainda mais forte tendo agora 92 pontos e podendo chegar aos 95. Sou sincero, não sei quando ou se alguma vez o clube voltará a fazer um campeonato tão bom. O PSG fez 96 na época passada, mas num campeonato em que o segundo e o terceiro ficaram a mais de 30 pontos.

O segredo do êxito passou por contratações cirúrgicas como as de Sidibé, Glik e Mendy, eleitos para o onze do ano, além dos regressos de Falcao e Germain?

-Também, isso foi um momento importante no ano passado. No futebol há duas formas de chegar ao sucesso. Uma mais imediata pelo investimento - que é o que faz o PSG e outros grandes clubes que querem ganhar todos os anos -, contratando grandes nomes e esperando que as individualidades resolvam os problemas da equipa. E depois há um projeto como o nosso que é mais coletivo, com muito trabalho e que necessita de alguns ajustes e afinações todas as épocas. Este ano, isso foi notório. Porque os jogadores com maior experiência como o Glik, os laterais Sidibé e Mendy, apesar de serem ainda jovens, deram consistência defensiva. Depois, os regressos dos emprestados Germain e Falcao, este último em particular, foram fundamentais porque deram muita qualidade à equipa e estabilidade. É um processo. Foi um campeonato ganho não somente com o trabalho deste ano, mas do que já vinha de trás. Jogadores que explodiram, como o Lemar, que tinha estado emprestado ao Cannes onde nem jogava, e o Mbappé foram trabalhados desde a época passada. O próprio Bernardo Silva, que fez a melhor época da sua carreira em termos de regularidade e hoje é um jogador muito mais importante, já andava há dois anos a ser trabalhado, também o Bakayoko, o Fabinho, que começou a ser aposta para o meio-campo na temporada passada. Não podemos separar esta época desportiva, porque é o somatório das duas anteriores.

Utilizou quase sempre um modelo tático em 4x4x2, até que ponto a tática é importante para si?

-Para mim, a tática, os números não me dizem muito. O importante é saber rentabilizar da melhor forma aquilo que de melhor existe na equipa. Se tivermos dois atacantes de grande qualidade, mais vale jogar com dois avançados do que com um médio-ofensivo de valor inferior. Penso sempre em rentabilidade. Este ano, iniciámos a temporada com seis avançados no plantel: Falcao, Germain, Carrillo, Mbappé, Lacina Traoré e Vagner Love. Jogando com um avançado só era muito difícil. Extremos de linha, tínhamos o Mbappé, que fez a sua formação assim, e pouco mais. Mas extremos com capacidade de jogar mais como interiores tínhamos o Bernardo, o Lemar, o Boschilia. Adaptámos um sistema que nos permitisse aproveitar ao máximo todas as características melhores do nosso grupo.

E dentro desse esquema o que conta mais é a dinâmica?

-Sim claro, a dinâmica da equipa coletiva é a coisa mais importante. Costumo dizer que a qualidade da equipa tem de ser sempre maior do que a soma das partes, quando acontece o contrário, algo vai mal.

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