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Libéria escolhe na terça-feira sucessor da primeira presidente africana

Logótipo de O Jogo O Jogo 09/10/2017 Administrator

Mais de dois milhões de eleitores liberianos escolhem na terça-feira o sucessor da primeira mulher presidente no continente africano, votação que não conta com qualquer candidata feminina e que tem no vice-presidente Joseph Boakai o principal favorito.

A braços com uma crise económica e social agravada após a epidemia de ébola, em 2014, a Libéria vai a votos para eleger, entre os 20 candidatos, o sucessor de Ellen Sirleaf-Johnson, impedida constitucionalmente de concorrer a um terceiro mandato e que em 2011 foi escolhida como Prémio Nobel da Paz.

Entre os candidatos figura o antigo futebolista George Weah, o primeiro africano a ganhar a Bola de Ouro (1995) e que, atualmente, é o líder da oposição, tendo saído derrotado nas presidenciais de 2005.

A campanha das terceiras eleições presidenciais pluralistas da história do país, que terminou no domingo, contou com grande participação cívica e sem incidentes, facto realçado por vários candidatos, lembrando a violenta e devastadora guerra civil que provocou mais de 250 mil mortes entre 1999 e 2003.

A elevada participação cívica da população demonstra a expectativa reinante ante a votação, com analistas locais a considerarem que, face à dispersão de candidatos, poderá ter de se realizar uma segunda volta, prognosticando que a ela passarão Joseph Boakai e George Weah.

Na campanha, grande número de candidatos coincidiu nos projetos futuros para o país, priorizando a manutenção da paz, redução da pobreza (50% da população vive abaixo desse limiar), eliminação da corrupção e revitalização da economia, que leva já três anos de recessão, provocada sobretudo pela epidemia de ébola, que matou quase 5.000 liberianos.

Após a guerra civil, a Libéria recuperou as exportações de cacau, café, ferro, ouro e diamantes e conseguiu cancelar os quase 4.000 milhões de dólares (3.400 milhões de euros) de dívida externa, o que permitiu que o Produto Interno Bruto (PIB) passasse de um crescimento negativo de 31,3% em 2003 para um positivo de 8% em 2005.

O PIB manteve esta tendência até 2013, ano em que o Governo anunciou um crescimento de 7% para 2014, previsão que acabaria por falhar redondamente por causa do aparecimento da epidemia que, só na Libéria, contagiou 10.322 pessoas e matou 4.608 delas.

"Hoje em dia, não deixamos de pensar no que sucedeu nessa altura, em que o Governo ficou perplexo e emocionado pelos danos de uma doença que não conhecíamos", disse Sirleaf-Johnson no fim de semana, durante a inauguração de um centro de saúde.

O plano de contingência que então foi posto em marcha para travar a epidemia, que, entre outras medidas, levou ao encerramento das fronteiras, teve um reflexo significativamente negativo na economia, com a taxa de crescimento a limitar-se a 0,7%.

Em 2015, o crescimento do PIB foi nulo (0%) e em 2016 entrou perigosamente no "vermelho" (-1,6%), o que deixou o país, já de si um dos mais pobres do mundo, numa situação ainda mais delicada.

Os analistas negam que a taxa de crescimento negativa se deva unicamente à epidemia, apresentando outros fatores, como o histórico défice de infraestruturas, tema que entrou nos debates da campanha e que dificulta diretamente a organização da votação.

"As nossas estradas são deploráveis", disse um responsável da Comissão Eleitoral ao diário Liberian Observer que, no sábado, dava conta que cerca de uma dezena de camiões carregados com material eleitoral estavam atascados em caminhos de terra praticamente intransitáveis após a época das chuvas.

A história da Libéria, com fronteiras com Serra Leoa, Guiné-Conacri e Costa do Marfim e banhada pelo oceano Atlântico, é única entre as nações africanas, pois é um dos dois países da África Subsaariana, tal com o a Etiópia, sem raízes na colonização da África.

A Libéria, atualmente com cerca de quatro milhões de habitantes, foi fundada e colonizada por escravos americanos libertados com a ajuda, entre 1821 e 1822, da organização privada American Colonization Society, na premissa de que os ex-escravos americanos teriam maior liberdade e igualdade nesta nova nação.

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