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Luís Miguel Cintra apresenta em Setúbal segunda estação de "Um D. João Português"

Logótipo de O Jogo O Jogo 14/07/2017 Administrator

A peça "Um D. João Português", a forma que Luís Miguel Cintra encontrou para continuar a fazer teatro após o fecho da Cornucópia, estará em cena, sábado e domingo, em Setúbal, no que encenador designa por "segunda estação" do projeto.

"Um D. João português -- O mar (e de rosas)" é o subtítulo da peça que o encenador levará à cena num contentor à beira Sado, no cais 3, do porto de Setúbal, dois meses depois de ter apresentado a primeira parte da peça, "Um D. João Português -- Na estrada da vida", no Montijo.

"De certa maneira é boa esta sensação de recomeço. Por outro lado, pede força de vontade ter de aceitar o dado de que as condições de trabalho mudaram para uma situação de mercado que não foi aquela em que ganhámos experiência (e muito menos quisemos)", escreve o encenador, numa alusão ao fim abrupto da Cornucópia, em dezembro de 2016, o seu "sonho" de mais de 40 anos, numa nota introdutória sobre a nova peça.

Apesar dos anos que leva de prática teatral, Luís Miguel Cintra mantém, tal como a equipa que o acompanha, nesta produção semelhante a uma via sacra, com as suas "estações", "o gosto em inventar maneiras próprias de continuar a fazer sentido", num trabalho que só lhes interessa se não desistirem "da sua natureza de invenção artística", acrescenta na mesma nota.

Depois das peripécias vividas/interpretadas no Montijo, e dos desentendimentos com as suas amadas, o dissoluto D. João Tonorio (Dinis Gomes) enceta, com o seu criado Esganarelo (Duarte Guimarães), uma viagem por mar, acabando por naufragar, mas aportando depois numa "aldeia piscatória" (Setúbal), explicou à Lusa Levi Martins, responsável de uma das companhias associadas à produção da peça.

Em Setúbal, a ação -- representada perto de um local onde, na década de 1970, Luís Miguel Cintra se recorda de ter atuado -- terá um cariz mais popular, mas ficará, igualmente, marcada sobretudo por dois amores inconvenientes e/ou inoportunos de D. João Tonorio, explicou Levi Martins.

Sem uma saída de D. João de cena, o nobre é avisado de que está a ser seguido, abrindo-se assim caminho para a próxima "estação" desta peça, a representar nos dias 14 e 15 de setembro, no Teatro Viriato, em Viseu, acrescentou.

Em Setúbal, a peça conta com o apoio da autarquia local, da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) e do Centro de Estudos de Teatro e Universidade de Lisboa.

A quarta e última estação de "Um D. João português" realizar-se-á em dezembro, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, em data ainda por definir.

Será, contudo, nesta cidade que ocorrerá a estreia dos quatro blocos que compõem "Um D. João português", sendo quase certo que as representações totais da peça decorrerão pela ordem inversa do percurso inicial, avançou Levi Martins, ou seja, de Guimarães, para Viseu, seguindo-se Setúbal e Montijo.

"Existe ainda a possibilidade de, quando o espetáculo estiver completo, ser representado noutros teatros, mas ainda é cedo para avançarmos", adiantou este responsável da Companha Mascarenhas-Martins, com sede no Montijo.

Guilherme Gomes, Rita Cabaço, Sofia Marques e André Pardal são outros atores que interpretam esta "estação" da peça, de um total de 16 atores ligados ao Teatro do Bairro Alto.

A encenação de "Um D. João Português" é elaborada a partir da tradução portuguesa divulgada no teatro de cordel setecentista de "D. João", obra-prima de Molière, e será construída, ao longo deste ano, em quatro cidades, numa iniciativa partilhada com grupos e espetadores locais, que tem incluídas sessões de leitura dos textos.

Segundo Luís Miguel Cintra, que encena, "a ideia é, mais do que apresentar um produto cultural pronto a ser consumido, contactar verdadeiramente com a comunidade local em várias cidades, em diálogo e com a colaboração de estruturas ou entidades existentes, sejam grupos de teatro, escolas, associações culturais, teatros municipais, centros culturais, autarquias ou até grupos desportivos".

"Este projeto consiste, então, da forma mais leve do ponto de vista administrativo possível, numa partilha de sessões de trabalho das diferentes fases de preparação de um espetáculo com os espetadores interessados", lê-se na nota de trabalho de Luís Miguel Cintra, na qual sublinha que as "formas de diálogo deverão estar adequadas aos hábitos e às necessidades do público envolvido em cada um dos locais visitados".

O encenador propõe-se, pois, "construir um espetáculo a partir de uma obra-prima da história do teatro universal - o 'D. João'", de Molière, na sua tradução portuguesa do século XVIII.

O "D. João" constrói-se como um julgamento moral, embora se preste à análise dos mais variados temas, já que o protagonista e o seu criado Esganarelo vão atravessando diferentes locais, fugindo da má fama do libertino.

Para Luís Miguel Cintra, a história torna-se "pertinente", porque "volta a pôr em questão a responsabilidade ética dos comportamentos sociais e a moral".

Na versão trabalhada por Luís Miguel Cintra, D. João e Esganarelo surgem como marginais da sociedade, sempre em fuga, quase como num 'road movie'.

"Tudo neste espetáculo a que chamei 'Um D. João Português' é imperfeito, ou melhor, inacabado, bastardo, hesitante, incerto", escreve Luís Miguel Cintra, na reflexão sobre a obra.

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